WALLACE PUOSSO

Sexta-feira , 28 de Janeiro de 2005

diário de bordo – mulheres de nelson (1)

SEX JAN 28, 2005

 

ESTA SEMANA MARCA A LARGADA para o espetáculo “Mulheres de Nelson”. Este espetáculo fará parte da 5ª Mostra de Esquetes Teatrais do Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas, que ocorrerá entre os dias 23 e 27 de fevereiro, em local a ser definido. O tema será “Nelson Rodrigues”.

Estavam previstos inicialmente, para cada noite, três esquetes com adaptações de contos da série “A Vida Como ela é”. Durante o processo de adaptação, porém, as mulheres dos textos teatrais tomaram espaço de tal maneira que os dois esquetes iniciais – A Coroa de Orquídeas e O Pediatra – viraram um espetáculo.

Terminei a adaptação na madrugada desta sexta-feira. São 22 personagens, entre eles: Geni, Herculano, Das Dores, Madame Clessi, Alaíde, Judite, Sônia e Dorothéia.

Serão trabalhados dois planos: realidade e alucinação, a exemplo do que já foi feito em “Vestido de Noiva”.

Fizeram parte da adaptação os seguintes textos teatrais: “Toda Nudez Será Castigada”, “Vestido de Noiva”, “Dorothéia”, “Perdoa-me por me Traíres” e “Valsa nº 6”, mais os contos “A Coroa de Orquídeas”, “O Pediatra” e “O Marido Sanguinário”.

Participam dessa mostra 5 diretores - Claudio Mendel, Edson Gory, Wallace Puosso, Andréia Barros e Carlos Rosa e mais de 50 alunos-atores.

Então é isso. Faltam aproximadamente 27 dias.




 Produzido por Wallace às 13h21 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 25 de Janeiro de 2005

como diria leila

 

Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do seu girassol.

Eu com o meu rock’n roll, você vem de bossa, alma nova como sempre...

Eu apareço com o Oficina & você vendo filme de arte, atenta a tudo entre uma receita & outra de como ser & estar & permanecer.

Perdi-me em promessas & na pressa esqueci de dizer que não se prende só pelo estômago, mas pela cabeça. Sorrimos à beça enquanto eu me virava em poesia, você se perdia em alegria com o simples da vida.

Cada lida traz seu preço: nosso começo é sempre meio assim, eu curumim, você de viés, sorrindo pra mim. Eu tenho esse jeito desleixado & você organizada - na sua praia você sabe onde quebra a onda & onde se guarda um afeto.

Eu sou gato de subúrbio, ator desempregado, você é litorânea, de um lado musa, de outro também, mas ninguém sabe bem como começaram os dias de sol.

Você, toda blue & eu assim, meio vermelho.

Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho.

 

[WALLACE PUOSSO, janeiro de 2005]



 Produzido por Wallace às 22h58 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 20 de Janeiro de 2005

diário de bordoAdultério (3)

QUI JAN 20, 2005

 

FINALMENTE TERMINEI DE ESCREVER ADULTÉRIO.  Embora seja uma primeira redação e ainda pretendo corrigir algumas coisas com um olhar mais externo, já é o texto definitivo em sua essência.

Escrever esse texto me custou um cansaço fora do comum. Não sou autor de teatro, escrevo contos e poesias, linguagens bem distintas, por isso a dificuldade.

É um passo importante.

Agora passarei esse texto para três pessoas também exteriores ao projeto, o que me dará uma noção mais global do que é preciso modificar.

Espero ter a redação final e corrigida já após o carnaval.

 

Durante o processo de escrita, trabalhei também, sensações diversas sobre os seguintes compositores:

MOZART (Symphony nº 40 in G minor K.550)

ERIK SATIE (Pianoworks – faixas 2 – Gymnopédies e 7 - Gnossiennes)

CARLOS LOMBARDI (Lo Mejor Del Tango)

Todos pela MoviePlay Music.

TRILHA SONORA do filme “Beleza Americana”

 

Isso não quer dizer, necessariamente, que eles farão parte da trilha sonora do espetáculo. Mas por hora são compêndios ao material desenvolvido em pesquisa.




 Produzido por Wallace às 10h48 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 19 de Janeiro de 2005

canção oblíqua para deleite de jackie salutar

 

DE UMA HORA PARA OUTRA, descobri extasiado que as orquídeas são altamente eróticas & brutalmente rodrigueanas mas alguém já insinuou, sussurrando na coxia entre um ato & outro, que degustar flores nunca foi muito aconselhável, principalmente as com menos de dezoito, o que não se aplica a esse caso, é claro. Certa noite, num pequeno vilarejo ao pé da serra, enquanto ânimos exaltavam-se & espíritos entorpecidos dichavavam oferendas a um deus pagão, entupi-me de vinho barato & recitei meio trôpego à beira da piscina esverdeada, um poema de bete-qualquer-coisa, uma figura metida a janis voltando de woodstock à pé & eu lá declamando entusiasmado minha fé quase cega de tão lúcida & embalado pelo velho & bom rock’n roll de uma guitarra attômica, quando você definitivamente estourou meu limite de criatividade & eu lhe mandei caçar coquinhos no boteco da esquina, você & toda sua companhia de teatro governamental. Enquanto as pedras rolam pelo pequeno reino industrial-cultural eis que surgem esboços mambembes que precisam ser lapidados & integrados ao meio. Você que nunca se integrou em nada, em vez de contar estrelas, uma a uma, voltou com um par de lagartixas de pepsi que eu simplesmente odiei, mas para não lhe contrariar, joguei as duas pela janela, fiz um brinde com o vidro estilhaçado achando tudo muito engraçado & fui detido no dia seguinte por tentativa de agressão à camada de ozônio. Pode?

[WALLACE PUOSSO, do livro “Estrangeiro” a ser lançado em 2005]

 


música do dia: Overture – Bjork (CD SelmaSongs, 2000)

leitura da semana: Contos de Nelson Rodrigues (A Vida como ela é / A Coroa de Orquídeas)




 Produzido por Wallace às 12h28 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 18 de Janeiro de 2005

os opostos se atraem

 

 

QUANTAS ESTRELAS tem o brilho dos olhos quando a noite cai a seu contento? Qual seu nome? De onde você vem? Diga-me quem é e lhe direi porque sou assim. Seu mundo é lilás, o meu é blues. Feito Bourbon Street na paulicéia desvairada de Roberto Piva. Nasci em sampa no ano que não terminou e você, minha obra acabada, minha Vênus de Milo, meu vício desde o início. Meu riesling. Porque seu vinho branco é tão bom? Adoro pele clara e sensível ao toque da boca que busca sempre o caminho de volta. Volta. Meu sex out drive psicodélico com San Francisco em 50 & 60 & além do mais, nunca houve nada pra baixo do equador pra guardar na lembrança viva a não ser seu olhar, sua boca & seu coração. Não sou cirurgião de almas & vontades, mas meu bisturi tátil é complemento à sua fantasia. A única coisa comum entre nós é coisa de pele, cheiro & corpo colado. O corpo é a casa de tudo que penso & faço, é como copo de um líquido sagrado, espesso e derramado. Amo-lhe às escuras, feito deus pagão, escrito com letra minúscula & dogmas para quem não sabe ler. Mas é fiel ao toque. A fé é substancial & o essencial é ter-lhe por perto numa tarde de verão. Ou de primavera. Ou quando fizer calor & a vontade gritar de vontade de possuir. Calor. Vivaldi fez uma obra-pima sobre essas e outras estações. Legiões à solta pra quando o sol bater na janela dos seus olhos. Qual seu nome? Diga-me quando você vem que lhe digo onde estarei. Qual signo rege seu caminho? Diga-me sua sentença e lhe direi qual destino reservo-lhe em meio à carta de estrelas e você navegará pelo meu corpo easy rider numa dança meio esquisita, pulp fiction em alto estilo. Perigoso? Perigo é não fazer o que se gosta na hora em que se quer. Perigo é um olhar que não diz nada, um amor pela metade, uma poesia inacabada. Vinícius e Drummond eram & ainda são o mais refinado em amor & sedução. Eles também viraram estrelas & agora já não sei quantos brilhos tem seu olhar de petição. Sei que se você tentar me seduzir de novo, não terei coragem de dizer não.

 

[WALLACE PUOSSO / janeiro de 2005]



 Produzido por Wallace às 16h02 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 17 de Janeiro de 2005

 Beleza e mortalidade

 Ensaio sobre o filme "Irreversible", de Gaspar Noé

 Por Miguel do Rosário

Nascido na Argentina, 42 anos, formado na escola de Paris, o diretor Francia Gaspar Noé provocou um terremoto no mundo do cinema com seu filme Irreversible, lançado ao final de 2002. Críticos de Cannes odiaram. Pais de família abominam. Gerentes de salas de cinema se recusam a aceitar. No Rio, só foi exibido e por pouco tempo no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema. Dá para entender: a experiência é terrível. Não é um filme que desperta bons sentimentos. Não é alto-astral nem poético-melancólico. Não afaga o ego do espectador. É um filme terrível, repito. Sem ironia, não é para estômagos sensíveis. Proíba sua mãe de assistir. Se você tem filha adolescente ou jovem e mora em cidade grande, talvez seja melhor se resguardar.

Agora...

Se você é uma pessoa que compreende a natureza profunda e revolucionária da arte. Se você é uma pessoa que não se deixa enganar por nenhuma pretensa e efêmera felicidade. Se você quer fugir da estética infantil dos filmes  modernos de violência, feitos de maneira que qualquer criancinha de oito anos possa assistir ao genocídio de milhares de pessoas sem se perturbar, como Senhor dos Anéis. Se você quer ver um filme verdadeiramente "adulto" que aborda o tema de violência, e se você está preparado para tratar um filme como arte - redenção, transcendência, experiência catártica -  e não como entretenimento, então aí você pode ajeitar o traseiro na poltrona e apertar o play.

É um filme violento, já falei e por aí se explica talvez o fato da brutalidade chocante de Irreversible trazer à tona a questão do terrorismo e da guerra. Brutal, chocante, execrável, infame. Os mesmos adjetivos endereçados às explosões dos trens em Madrid foram repetidos pelos críticos de Cannes para descrever o filme de Noé. As idéias de revolta, ódio, descontrole, desespero, ardem intensamente, impiedosamente, agredindo o espectador de tal forma que a sala de cinema parece se tornar, às vezes, uma câmara de tortura. Porquê? Porquê? Nos perguntamos, desconsolados, diante de uma cena logo no início em que um homem (Pierre - Albert Dupontel) esmaga o crânio de outro com um extintor de incêndio. Eles estão numa boate gay sadomasoquista, a câmara nervosa nos deixa inquietos e ressalta a sensação de perigo e mistério. A cena termina. É o final do filme. Quer dizer, é o começo, porque a história é contada de trás pra frente.  Mas você, espectador, já está aniquilado.

FICOU CURIOSO?  QUE SABER MAIS?

VISITE: http://www.arteepolitica.com.br/criticas/cinema/Irreversible.htm



 Produzido por Wallace às 11h10 [] [envie esta produção]


Sábado , 15 de Janeiro de 2005

seguir para onde o nariz aponta

SEJA SEMPRE FELIZ! Coma somente se tiver fome... durma somente se tiver sono.. abrace muito, beije mais ainda e ria! Já que a vida é de graça peça! Sempre haverá alguém que lhe dará o que você está precisando. Despeça-se do que já passou, quem vive de passado é museu....

Pare de se preocupar, perdoe-se por suas burrices e fracassos, lembre-se de rezar para agradecer, você já recebeu mais do que suficiente para crescer e ser feliz. Não perca tempo em discussões inúteis, ao invés de brigas, cante uma canção, tome um banho frio, vá dar uma volta de bicicleta, ou assista a um bom filme com uma panela bem grande de pipoca...

Desista de fazer a cabeça dos outros. Cuide de si mesmo como se estivesse cuidando do seu melhor amigo, expresse a sua individualidade, mude algo em si mesmo todos os dias, abra-se com alguém e entre em contato com aquelas pessoas que faz tempo que você não vê.

Faça alguma coisa que sempre desejou fazer, que pode fazer, mas que tinha vergonha, cometa novos erros, simplifique sua vida, deixe bagunçado, acredite no amor, grandes amizades não se perdem em pequenas disputas, e se perderem é porque não eram amizades, muito menos grandes... Em caso de dúvida, fique na sua e siga seu prórpio nariz, saiba que a felicidade de quem está ao seu lado muitas vezes depende da sua felicidade... seja sempre muito feliz....

(texto retirado do blog: http://pensamentosxpalavras.zip.net, que por sua vez foi retirado de algum lugar da net. Comunicação express é isso!)



 Produzido por Wallace às 15h09 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 11 de Janeiro de 2005

passagem de ano

NADA É POR ACASO.

Após 15 anos do convite inicial feito por meu brother Pyda (ex-guitarrista do Attômica) na época, habituée de lugares exóticos, fogueiras e violão, finalmente resolvi que conheceria Maromba. Para quem não conhece, é um dos distritos de Visconde de Mauá/RJ. O outro distrito é Maringá, onde ficam concentrados as butiques de alta moda e restaurantes com cozinha internacional.

Maromba foi há anos atrás, reduto de hippies e pós-hippies (se é que esse termo exista, reflete um pouco a geração coca-cola) e ainda hoje guarda traços de esoterismo por todo canto.

Depois de quase três horas e meia de estrada montanha acima, fomos recebidos com uma chuva fraca e no restaurante onde fomos saborear nossa primeira cerveja e comemorar a chegada, tocava o samba de Paulinho da Viola – a trilha sonora do documentário “Meu Tempo é Hoje” exibido pelos Celebreiros em 2004. Nada é por acaso.

Ficamos hospedados na casa do Rodrigo, um praticante de Yoga, libriano com ascendente em sagitário (como eu) e que também foi nosso guia nos quatro dias em que lá ficamos. Foi ele que nos levou numa incursão à Cachoeira das Fadas no último dia do ano.

Maromba é bucólica, com seus chalés coloridos, suas ruas estreitas, suas dezenas de cachoeiras, seus campings e seus turistas gringos, formando uma babilônia festiva e harmoniosa. Pessoas bonitas, música de primeira.

Não é preciso mais pra ser feliz, de fato.

Na virada do ano e no dia seguinte, dançamos madrugada adentro ao som contagiante dos Tambores da Serra: cacuriá, afoxé, música de Angola, forró. Só biscoito fino e composições próprias. Também não faltou a tradicional pinga com mel servida em bambu.

E pra fechar, a estranha e animada conversa com as meninas de Berlim que estavam (estão) viajando pelo Brasil. Nós não falávamos nada de espanhol, elas não falavam nada de português.

Todo mundo se entendeu. Porque Maromba é assim.

 

[WALLACE PUOSSO / Maromba, dez/2004 - jan 2005]

 


Obs.: para quem quiser ver as fotos: http://celebreiro.nafoto.net/index.html


música do dia: Orélia - Otto (Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga, 2001) 

filme: Os Sonhadores - Bernardo Bertolucci (2003)



 Produzido por Wallace às 23h56 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 04 de Janeiro de 2005

meias verdades (2)

 

 

·         Às vezes, só às vezes, uma palavra, um olhar, um gesto me basta e denuncia o que  poderia se gastar de tempo em busca da melhor saída.

 

·         Viajar tem seu lado fortemente sedutor. É magnifico passar pelos lugares. A sensação de jamais pertencer a um lugar que seja. Olhando pela janela, a paisagem distorce-se veloz com suas imponentes serras, seus cerrados a se perder de vista. Sinto-me muitas vezes mínimo e grato por existir.

 

·         O maior prazer que tenho ao viajar é sempre a possibilidade do retorno.

 

·        Somos um povo agraciado. Felizes com quase nada. Um povo sofrido, mas anestesicamente feliz, aparentemente sempre de bem com a vida. Coisas típicas de trópicos. Talvez isso explique muita coisa.

 

·         Os pequenos e essenciais ritos: conversa com amigos, o violão, a fogueira à beira mar, o fondue nas noites frias, o aconchego do blues e do vinho, a poesia, um filme de arte, um bom livro...

 

 

[WALLACE PUOSSO, já 2005]



 Produzido por Wallace às 15h31 [] [envie esta produção]



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::INDICAÇÕES DE ROTA::

IDENTIFICAÇÃO: Ator e diretor de teatro, poeta e compositor. Libra com ascendente em capricórnio. 3º decanato. Lua em Libra.

TUDO COMEÇOU EM: Dois mil e quatro.

GOOD TRIP: viajar; sair com os amigos; namorar; ir ao cinema; um violão na beira da fogueira; um filme europeu em casa com os amigos; ver peças teatrais; ensaiar peças teatrais; ler um bom livro; sair pra fotografar

SONHOS: viver de arte; escrever livros, conhecer a Espanha, a Grécia.

BAD TRIP: política partidária; gente burra; gente mal-educada; todos os tipos de dogma.

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