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| Quarta-feira , 23 de Fevereiro de 2005 |
que país é este? (1)
Existem canções e existe o vazio.
Lá se vão dezesseis anos de “As Quatro Estações”, CD histórico da Legião. Parece que foi ontem. Quanta coisa mudou nesses anos...
Mil novecentos e oitenta e nove foi um ano importante, ou pelo menos assim deveria ter sido. Era um momento especial da história brasileira. Vínhamos de uma “retomada” de democracia, Carta-magna nova, perdemos uma grande chance nas urnas, perdemos o pouquinho do “sonho” que ainda tínhamos de um país melhor (ainda se falava em país do futuro, olha só!).
Ficou o gosto amargo na boca.
Perdemos Rauzito, nosso “maluco beleza” (talvez um dos caras que mais tenham sofrido com as injustiças, desigualdades e desmandos deste país), depois perdemos Cazuza, nosso poeta desajustado, exagerado, necessário. Gonzaguinha se foi e Renato Russo cantava apaixonadamente as dores, angústias e amores de toda uma geração que acreditou, acreditou, acreditou...
“...Até bem pouco tempo atrás / Poderíamos mudar o mundo / Quem roubou nossa coragem?...”
Talvez ainda nem fôssemos incrédulos o suficiente para prever o que ainda estava por acontecer. Naqueles anos oitenta, nós que já tínhamos um pé na arte, acreditávamos também na “retomada” da música brasileira nas rádios, nas ruas, depois de anos de dominação da discoteca, da new age, daquela música americana moderninha que dominava tudo. Acreditávamos. Em noventa, noventa e um, a febre dos “novos sertanejos”. Três ou quatro anos depois, a febre da axé music e depois, para coroar com chave de ouro, a enxurrada nos pagodeiros “os novos sambistas românticos”. Aí vai Caetano e sacramenta em público a importância que a axé music tinha para o cenário brasileiro. Besteiras, besteiras.
Alguns artistas deveriam permanecer quietos em seus lugares.
Isso, pra falar só da música brasileira. O cinema brasileiro, que estacionou em Glauber e sua obra universal, em meados de noventa sofreria um golpe fatal com o fechamento da Embrafilme. De uma produção anual de 80, 90 filmes (1989) caiu para ridículos 2 ou 3 (1990 e 1991)!
A produção cinematográfica atual ainda não consegue ter o fôlego de antes. Mas está no caminho.
E se formos falar de literatura, aí a coisa descamba de vez. Nunca se leu tão pouco, nunca se consumiu tão escassa literatura como hoje. Efeito da globalização, da invasão mercantilista americana? Efeito dessa política neoliberal? A cidade de Buenos Aires, na Argentina, tem mais livrarias que o Brasil inteiro! Moscou, na Rússia, tem quatro vezes mais teatros que São Paulo.
Somos o maior mercado consumidor do planeta, seguidos de China e Índia e estamos entre os países que tem a pior distribuição de renda do mundo.
Números, números são questionáveis, sempre. Mas a análise de tudo isso nos dá subsídios para uma compreensão melhor do que ocorre por trás dos fatos oficiais. O ministro da educação disse, certa vez, que a taxa de repetência era quase zero, um “avanço”. Ele só esqueceu de dizer que tem crianças chegando à quarta, quinta séries do ensino fundamental, sem saber ler! E chega-se ao ensino médio sem a percepção do entendimento. O que é pior ainda.
É o que chamamos de analfabetismo funcional. Um nome bacana que disfarça o fosso em que nosso sistema educacional se encontra.
Sinto saudades daqueles difíceis anos oitenta.
Produzido por Wallace às 17h09
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que país é este? (2)
Não precisei viver a opressão dos anos da ditadura para saber o valor da liberdade que gozamos hoje. Mas a que preço? E tem gente que ainda diz que o período mais prolífero da nossa arte foi durante a censura. É um grande engodo. O próprio Chico Buarque em entrevista à revista Caros Amigos (1998) diz que há muita confusão em torno do assunto. A censura jamais estimularia o que quer que fosse, pelo contrário: oprimia, dificultava.
Sinto falta dos tempos em que ainda se discutia política, cinema e literatura nas mesas de bares, nas ruas, nas universidades!
Sinto saudades de um país que parece não ser mais o meu país. Sinto que a “perda” do legado de Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro entre tantos outros que ajudaram a pensar nosso país, nos custa e ainda nos custará muito caro...
Hoje caminho pelas ruas e o que vejo são pessoas de cabeça baixa, sem brilho nos olhos, Estamos alimentando uma geração alienada com informações instantâneas via TV, via internet e nada de muito concreto de debate.
Vivemos a era da Informação. Em detrimento do conhecimento.
E o sonho? Ah, sonho é coisa de gente que não tem o que fazer...
Saudades de um tempo em que ainda era permitido sonhar...
“...Há tempos são os jovens que adoecem / Há tempos o encanto está ausente / E há ferrugem nos sorrisos...”
Que país é esse? Quem é Chico Buarque? Quem é Renato Russo?
Existem canções e existe o vazio. o vazio.
[WALLACE PUOSSO / fevereiro de 2005]
Produzido por Wallace às 17h07
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| Segunda-feira , 21 de Fevereiro de 2005 |
SÉTIMA ARTE
"Dogville": das vantagens de usar Brecht Por Sérgio de Carvalho
Lars von Trier retoma o método do Teatro Épico e o conceito de obra-ensaio no cinema
Não é só através do tema que “Dogville”, filme do diretor Lars Von Trier, se aproxima da obra de Bertolt Brecht. De fato, a canção “Jenny e os Piratas”, parte da “Ópera de Três Vinténs”, inspira o argumento do filme, cedendo-lhe a imagem da moça explorada por toda a cidade e a de uma vingança de aniquilação. Mas o parentesco de assunto é distante, comparável ao da releitura feita por Chico Buarque em sua “Geni e o Zepellin”. São casos em que o assunto brechtiano serve a outros propósitos.
Em “Dogville”, ao contrário do que se tem dito, o que está em jogo não é uma imagem dos Estados Unidos, e sim a forma de representação norte-americana do mundo, ao menos como foi consagrada por Hollywood, e que corresponde a uma reelaboração dos padrões europeus do drama burguês do século 19, em sua hipertrofia do individualismo moralizante.
Para que não haja dúvidas sobre o núcleo do assunto, somos introduzidos no filme pela caminhada da personagem Tom, um jovem idealista com pretensões filosóficas que organiza na paróquia de sua pequena cidade uma série de reuniões sobre “reforço moral”. Quando por acidente ele encontra uma fugitiva à procura de ajuda, Graça, tem à mão a “ilustração” adequada para seu discurso.
Na tensão crescente entre a representação moralizadora defendida por ele e a realidade vivida, as nove partes de “Dogville” mostram o processo de exploração consentida de Graça, em que ela tenta levar adiante o plano de integração social de Tom até o limite da dor: oferece sua ajuda aos habitantes, torna-se geradora de coisas supérfluas, passa a ser disputada como mão-de-obra barata, até que sua vida fica tão cara que lhe resta entregar o corpo como última moeda de troca. Seu vínculo idealista com Tom a mantém presa às relações perversas, fetichizadas por ela própria nas sete estatuetas (correspondentes às sete casas da cidade) que coleciona e que mais tarde serão destruídas junto com a sua liberdade física
LEIA MAIS: http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2039,1.shl
VEJA O SITE: http://www.imovision.com.br/dogville/
Produzido por Wallace às 09h20
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| Sábado , 19 de Fevereiro de 2005 |
CAFÉ COM CANELA
O que aproxima razão de sentimento / num estreito elo / é manter a mente livre / falar não somente do que seja belo / é saber ouvir o que diz o coração / por certo aquela garota vê diferenças / entre o que ela e ele sentem / nem desconfia que gostar / não tem limite certo / é diluir a dúvida de que um dia tudo termine / e o que durar que seja belo / há de se dizer: bom, é não ter receios / investir contra incertezas / tomar para sí toda beleza / de onde nem sequer existe / ela sabe que não há de se sobrar tempo / sentimento se cultiva / sem buscar explicações / situações que ponham tudo em risco /
perde-se tempo com tanto e tanta coisa / que nem vale a aposta / e às vezes não há o que fazer / perde-se tempo com intrigas / brigas, ciúmes, desacertos / é preciso viver cada momento / como se nada mais houvesse / no fundo ela até desconfia / em toda alegria há um pouco de dor / em cada gesto uma procura / na aridez da guerra / pode-se encontrar amor? / na loucura, há lucidez e resistência (amar é um ato heróico) / a procura pelo perfeito / permeia cada olhar / em cada boca o eco de um beijo / no desejo, um jeito de ser / toque de corpo, coisa de pele / coisas que só a química explica / o beijo dela dá-lhe a sensação de álibi / para um crime perfeito / mas crimes perfeitos andam fora de moda / chegará o dia em que ela dirá: acabou / como todo começo um dia tem fim / a razão fala mais alto / do que pode o coração / mas o que ele sente não se acaba / com meia dúzia de letras / ele sabe: é preciso pressa para que se possa / exagerar no sentimento / escancarar a porta / sem isso, todo sentido se perde / o que ele quer é aquela garota / com sorriso de menina e malícia na medida certa / aquela garota, que também é atriz
[WALLACE PUOSSO / fevereiro de 2005]
música do dia: Neil Young - Philadelphia
leitura da semana: A Revolução Mexicana - Héctor Alimonda (Ed. Moderna)
Produzido por Wallace às 16h10
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| Terça-feira , 15 de Fevereiro de 2005 |
5 diretores / 5 olhares
COMEÇOU COMO UM DESAFIO.
Alunos em formação encenando Nelson. Cinco diretores, cada qual com sua visão particular, intrínseca, sobre a obra do dramaturgo maior do teatro brasileiro. E um tempo relativamente curto para colocar de pé propostas de encenação tão diferentes e complexas entre si – menos de quarenta dias.
Participam desta mostra – quase uma pentalogia – cerca de 50 alunos-atores. Aqui temos espalhado pelo solo fértil de Nelson, o gérmen do ator-pesquisador. Plantado está. Daqui, esses alunos saem para a vida, ou pelo menos o que entendemos que seja vida, após a experiência com a pseudo-realidade rodrigueana.
Nelson não é guaraná, é soda. Soda cáustica. E jamais será como um passeio num campo de lírios ao entardecer. É um soco bem dado na boca do estômago. Às vezes falta ar, às vezes dá vertigem.
Então fica combinado: nosso teatro deve ser um salto no precipício. De olhos bem abertos. Porque não há crescimento sem ruptura.
O óbvio às vezes flutua, mas insistimos em submergir. Com Nelson, temos a (rara) oportunidade de sacudir a poeira do teatro burocrático que se faz atualmente.
Nada mais será como antes.
[WALLACE PUOSSO, fevereiro de 2005]
Produzido por Wallace às 22h56
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| Segunda-feira , 14 de Fevereiro de 2005 |
d e s p l u g a d o
OS CANIBAIS CONTEMPORÂNEOS / verdadeiros devoradores de inteligência (?) / utilizam-se de controles remotos / para serem apreciados / degustados, digeridos garganta abaixo
A música é póstuma à palavra falada / a música
O prazer da fêmea é biológico & esparso / infinita sensação / de choque & irradiação
O medo guia o mundo rumo ao desconhecido
Minha geração cresceu espremida / entre fardas & o nada / parecido com nada
Antes, com a ditadura / sabia-se quem era o inimigo / (o alvo de todo o ódio) / hoje, sabe-se que o inimigo continua ali / forte & poderoso como sempre / com a única diferença que agora
não se sabe bem quem ele é
Sem chance
Fantasias masculinas / são como colchas de retalhos
Notórios são os barões da arte / os sapos gordos que controlam a cultura pop / desde os últimos suspiros / de uma tradição européia / esfacelada pelo poder americano
O cinema europeu / ainda é o melhor cinema do mundo / ainda
Todo mito é flexionado / pela cultura das mais diferentes civilizações
Quero estender-me póstumo através da obra / a obra
Ficar para sempre através da morte / a morte
(o homem deveria andar sobre quatro patas: seria mais fácil manter o equilíbrio)
[WALLACE PUOSSO, fevereiro de 2005]
Produzido por Wallace às 01h15
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| Sexta-feira , 11 de Fevereiro de 2005 |
diário de bordo – mulheres de nelson (2)
SEX FEV 11, 2005
mulheres de nelson – texto para programa
Celebro, com esse projeto, treze anos de trabalho em teatro.
Tudo começou com “A Serpente” em março de 1992, no Ciclo de Leituras Dramáticas do SESC. Naquele momento, eu ainda era aluno e me esforçava para entender o que era Nelson Rodrigues, o que era teatro. Tudo ao mesmo tempo. E foi um parto, dolorido, seco, sem cortes. Um ano e meio depois, participei da primeira etapa da montagem de “Toda Nudez Será Castigada”, da Cia. Teatro da Cidade – recém emancipada. Foram várias apresentações de vários textos de Nelson no saudoso Cine Teatro Benedito Alves. Mais uma vez, o processo de criação interna e contato com o universo rodrigueano foi caótico, conturbado, tenso.
Depois disso, nunca mais quis saber de encenar Nelson Rodrigues.
Até que um novo desafio foi proposto há um mês e meio atrás.
Então decidi que faria algo mais “light” – se é que isso seja possível com um dramaturgo desta natureza. Resolvi que adaptaria contos de “A Vida Como Ela é...”.
E foi então que elas chegaram. As Mulheres de Nelson. Lindas, perturbadoras, frustradas, vingativas, amorosas.
O que era pra ser um alinhavado de contos sobre fidelidade e traição, transformou-se numa colcha de retalhos multicoloridos, em que a cor preta predomina. Por ser a junção de todas as outras.
As personagens saltaram então dos textos e criaram vida – quase à minha revelia.
Assim surgiu “Mulheres de Nelson”. E não poderia ser diferente.
E cá estou eu – mais uma vez – de corpo presente, como testemunha impotente diante do lascivo e pungente universo feminino de Nelson Rodrigues.
E lá estão todas em cena: Alaíde, Madame Clessi, Judite, Das dores, Sônia, Glorinha, Geni, Dorothéia e as tias – sempre onipresentes.
Aplaudo, com esse trabalho, a ousadia desses atores – em sua maioria alunos – que foram ousados em sua decisão e não mediram esforços para colocar a cara à tapa.
Estamos todos nus. E a sorte está lançada.
Produzido por Wallace às 11h45
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| Quinta-feira , 10 de Fevereiro de 2005 |
Essa frase veio de um comentário sobre o último texto que postei aqui. É de alguém chamado "quase nada". Porque os mistérios são necessários?
"Deveria se chamar nuvem porque muda de formato cada instante, deveria se chamar tempo porque parece um filme a que nunca assisti antes, ou poderia simplesmente não se chamar, para não significar nada e dar sentido a tudo..."
Gostei da repercussão que o texto "Sobre e-mails..." teve. Sinceramente, não sei se é paixão. E talvez isso nem seja o mais importante. Importante é encontrar alguém com quem eu possa compartilhar, dividir, acreditar, confiar, verbos em desuso num mundo de futilidades e emoções imediatas. Quero viver o agora e o quero vivo, pulsante, intenso.
O resto a gente deixa pra depois...
[WALLACE PUOSSO, fevereiro de 2005]
Produzido por Wallace às 22h00
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| Sábado , 05 de Fevereiro de 2005 |
sobre e-mails, torpedos e outras coisas
Meu bem,
É A PRIMEIRA VEZ que lhe mando um e-mail pessoal, depois de longo tempo. Das outras vezes foi diferente, havia outros motivos e geralmente eram ligados a teatro ou qualquer coisa assim... Desde então, algumas coisas mudaram entre a gente (talvez mais pra mim do que pra você, ou talvez o contrário, não sei ao certo). Sei de uma coisa: gosto de você desde a primeira vez que lhe vi. E o "gostar" foi tomando formas e intensidades diferentes com o passar dos dias, dos meses... Nesse apanhado de frases com reticências e parênteses, tenho convicção de apenas uma coisa: gosto de você hoje, muito mais do que gostava há um ano atrás. E isso é bom, pelo menos pra mim é. Você deu outra dimensão ao tipo de sentimento que eu poderia ter por uma mulher. Eu aprendo com cada silêncio seu, cada sorriso encabulado, cada pequena frase em momento de descontração... Aprendo com seus humores, com seu jeito prático de enxergar a vida, com suas crises e seus momentos de felicidade... Aprendo com sua instabilidade... Olha só! Tenho vontade de amar ainda mais do que hoje, mas acabo colocando limite nas coisas. Principalmente porque você coloca os limites com muito mais clareza e me instrui - dessa maneira - até onde posso (e devo!) ir. Você tem a liberdade de escolhas que tanto precisa - e sabe disso - mas o que mais quero (muitas vezes!) é tê-la por perto, poder lhe olhar, tocar, amar e mais quantos verbos se fizerem necessários... Por isso sofro em silêncio, engulo em seco o que sinto, finjo que não é comigo, me engano achando que vou lhe ver amanhã. Ou qualquer coisa assim... Todo poeta é um furacão quando ama. Espero que você entenda. Às vezes tenho a capacidade de amar esparramado, exagerado, de quatro e estampado em out-doors pela cidade. Mas a mulher que me causa isso tem de saber e aprender a jogar junto.... Assim se constrói uma relação. Ou não. Como nenhuma verdade é absoluta, esse e-mail é cheio de reticências de propósito... A única certeza que me permito ter é de que não vou lhe perder tão fácil. Porque a gente só perde aquilo que nunca teve, não é verdade? Gosto muito de você (mesmo que às vezes você nem desconfie disso) e tenho vontade de gritar pra todo mundo... Mas é só vontade. Aí essa vontade maluca passa e eu lhe mando torpedos, escrevo e-mails... E aí você sorri o seu sorriso mais meigo, que me derrete todo, e eu já esqueço o que ia dizer no instante seguinte...
Você me empresta o seu sorriso e juntos a gente faz um país...
Com carinho, Wally
Produzido por Wallace às 21h47
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| Terça-feira , 01 de Fevereiro de 2005 |
alice & baco bacana no país da banana
ALICE RESOLVEU DAR UM TEMPO & parou pra tomar um trago com um cara estranho com um chapéu meio barroco & roupas saídas de algum bazar hans staden & lá pelas tantas da madrugada ela apanhou um manuscrito empoeirado em algum canto & sussurrou coisas impublicáveis, dizendo entretanto, que quem estava dramatizando o papel era eu. Imagina só: Fulano, Beltrano & Ciclano jamais aprovaram alguém com menos de um metro & sessenta falando coisas sérias & é claro que isso exclui as atrizes senão, o que seriam das lagartixas? A bem da verdade, coca-cola & macieira é uma mistura perturbadoramente infernal & dá fluidez ao espírito. Alice subiu no primeiro carro que surgiu, desconsolada com leituras dramáticas & cantadas baratas: desconfio que o fez por uma saudade danada do cheiro das glicínias na primavera & qualquer dia desses é capaz de tornar-se uma roira perfidamente sutil, ao som de uma rumba louca em pleno carnaval. Era uma vez nos anos cinqüenta & lá se foi a turma mais animada que se tem notícias. Quando o Estranho Simpático adentrar no Saloon Grunge, já irá longe a gaivota psicodélica que jamais fez verão acompanhada da salada insosa & desvairada em que se tornou as cabeças pensantes dessa cidade. Ao fim da noite, sucumbo ao sabor da felicidade & acqua fresca ao lado de um corpo claro & satisfeito & confabulo olhando pro teto quadriculado a procura de estórias & achando que todos chegaram (sempre chegam) a alguma definitiva conclusão: depois da invenção da roda, o que realmente faz a diferença é a banana.
[WALLACE PUOSSO, do livro “Estrangeiro” a ser lançado em 2005]
Já que é quase carnaval, um conto que remonta aos carnavais tradicionais do SESC, as leituras dramáticas de 93, onde conheci e trabalhei com o mestre Ademar Guerra e de onde saíram companhias teatrais e atores em atividade até hoje, um conto com o bom humor que permeava as mesas do bar grounge 26º no final das noites e à Alice, metáfora de uma paixão quase secreta. HÁ TEMPOS SÃO OS JOVENS QUE ADOECEM...
Produzido por Wallace às 22h23
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