WALLACE PUOSSO

Quarta-feira , 27 de Abril de 2005

EXERCÍCIOS PARA UM FUTURO PRÓXIMO

Sou teatro. Diálogo, tablado, rotunda, drama. Não sei ser comédia. Ainda. Sou Antunes, Peter Brook, Meyerhold, Eugênio Barba, Shakespeare. Sou silêncio e respeito aos mestres. O segredo está na respiração e na capacidade de se concentrar.

Sou ONG, voluntariado, entusiasmo. Tenho ideologia e me recuso a vender meus sonhos. Quero mudar as coisas. E elas insistem em continuar no mesmo lugar. O segredo neste caso está na paciência e na persistência.

Sou vinho, queijo, pão italiano, chocolate suíço, azeite, alcaparra. Sou cozinha e culinária. Conversa à beira do fogão. E pão na chapa com pingado no balcão da padaria.

Sou jazz, cinema de arte, catálogo de galeria de arte, Van Gogh, Rembrandt. Sou Garcia Lorca, Saramago, Oswald de Andrade, Drummond e Quintana. Sou Pablo Neruda. E quero viver uma vida de Picasso. Felicidade não é viver muito. É viver bem.

Sou rock, blues. Tudo no volume máximo. Como a vida. Sou Bob Dylan, Morrisey, Nirvana, Joy Division, Mutantes, REM, Smiths, Lenine, Legião. Sou poesia com música. E alfaia e violão. E música eletrônica.

Sou existencialismo. Contra certas coisas, não se deve lutar. Sou poesia e crônica. Já publiquei um livro, plantei várias árvores. E é melhor parar por aqui.

Sou fotografia. Em preto e branco. Luz natural. Sou Sebastião Salgado, Cartier Bresson, Bob Wolfesson. O segredo está no olhar, não no equipamento.

Sou cinema urgente, latente, que incomoda e faz pensar. Sou Almodóvar, Nelson Pereira dos Santos, Kubrick, Glauber. Algumas coisas são definitivas.

Sou Chico Buarque. Sou todas as trilhas de Chico para teatro. Inclusive Cambaio. Sou Tom Jobim, Vinícius de Morais, Chico Science, Renato Russo, Gonzaguinha, Raul, Cássia Eller e Cazuza. Os bons morrem antes.

Sou Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Antonio Nóbrega, Euclides da Cunha, João Cabral, Suassuna. Sou a curiosidade por um Brasil pouco conhecido. Sou a indignação por uma cultura pouco respeitada. Sou Bossa Nova, Tropicália e Mangue Beat. Sou dúvida e antagonismo.

Sou Celebreiro. Quem quiser, que entenda.

l wallace puosso / abr 05 l



 Produzido por Wallace às 23h28 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 19 de Abril de 2005

PENSANDO ARTE


Independência

Independência é atitude de quem produz e de quem consome. Ingresso não se pede e nem se dá, principalmente quando não há patrocínio. E essa letra eu mando principalmente para os próprios artistas, que ao darem ou pedirem ingressos, livros e Cd´s, produzidos com sacrifício e autonomia, sem perceber estamos atirando no próprio pé.

Por exemplo, o pãozinho, custa na padaria 25 centavos e não sabemos de casos em que o padeiro lhe dá o pão só porque ele custa tão pouco, e ele não dá o pão porque senão ele não tem como pagar a farinha e o cara da farinha não tem como pagar o transporte, esse ciclo, até chegar a quem planta o trigo é sustentado por um produto que custa na ponta apenas ¼ de real.

Quando montamos um espetáculo, além do trabalho especializado de seus criadores, pagamos o artista gráfico, a gráfica, compramos tecidos, madeiras, roupas, todos emitem notas fiscais que são repassadas ao Estado em forma de imposto, enfim... a única maneira que temos de recuperar alguma coisa do que investimos é no ingresso que ao darmos quebramos o nosso ciclo econômico.

Os últimos 15 anos marcados pela lei de isenção fiscal na área do patrocínio a cultura, criou uma geração despreocupada em atrair e batalhar pelo público, a verba paga tudo, aí damos convites, o espetáculo não passa de três meses em cartaz e depois vamos atrás de mais “mil dinheiros” para próxima montagem.

Então, se for patrocinado exija convite, se for independente, pague meia mas pague, e se alguém lhe pedir convença o amigo a mudar de atitude. Certo?

Marcio Libar


Idealizador e Fundador do Teatro de Anônimo (1986), vem construindo e afirmando nos últimos 16 anos sua trajetória de ator cômico popular, numa ação que vai do domínio da técnica artística, através da criação e apresentação de espetáculos e números, à qualificação profissional de outros atores sociais através de suas oficinas, passando pela intervenção direta no campo das políticas públicas voltadas para a cultura.

Atualmente, Márcio está diretamente comprometido com diversos projetos que consolidam sua ação como Palhaço em quatro espetáculos que se apresentam alternadamente: Roda saia gira vida, In conserto, Tem fuzuê na cumbuca e, mais recentemente, no seu espetáculo-solo que pretende brincar e sintetizar a trajetória de cômico popular, intitulado O Pregoeiro.



 Produzido por Wallace às 01h17 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 14 de Abril de 2005

o deus das pequenas coisas (ou doce novembro)

 

 

PRENDI AQUELE BEIJO não-dado e gravei teu silêncio numa rocha à beira-mar.

Deus é um grande poeta. Você é a força maior da sua criação: versos coloridos & renovados por todo lado que se olhe, inspiração para tudo o que eu faça.

Distante das mãos, próxima aos olhos, você se faz lua: bela, atraente, mas só desejo.

Eu sou um poeta de cores, odores & fantasias. Todo poeta é meio santo, meio demônio. Como tudo é parte de um todo, teu sorriso me completa e me redime.

Desfiastes enfim teus pequenos delitos como prece.

Ergui as mãos para os céus, agradecendo por flutuar.

  

[WALLACE PUOSSO / abril de 2005]



 Produzido por Wallace às 00h28 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 08 de Abril de 2005

 

manuscrito sulista em tom de “o eterno retorno”

 

LÁ SE VÃO AS PORTAS, entonações de outros tempos, em deferência à Huxley, diferentes contratempos permeando percepções alheias como quem desfolha um clássico. Meus queridos amigos, forte empenho de épocas que já nem se avizinham, estão longe, bem longe do meu centro de atração natural, colhendo frutos maduros & saudáveis ao entardecer, ao romper da aurora, a todo momento, pelo horizonte difuso.

Lá se vão as melhores mentes que minha geração introgenou na mesmice dos dias cinzas, quase sem cor, dias que dominaram toda a infância & adolescência. Dias muito bons. Algumas cabeças se foram, outras ainda tomarão seu rumo, num vai-e-vem sem prumo, cabeças pensantes que dançaram no limbo até saberem da verdade & sorrirem satisfeitos em seus pequenos reinos de esperança.

Sigo à espreita de uma centelha que seja de luz, um brilho de chão para a visão ofuscada, uma fresta, um par de asas para longo e sinuoso trajeto, um teto diferente de onde se possa antever o novo além do óbvio, do simples, do que se tornou a vida para  quem ambiciona castelos de areia e coroa de ouro de tolo.

Sigo. Pelas veias ainda corre & pulsa determinado um blues amargo feito gente madura & belo como o são as paisagens sulistas vistas da janela de um carro veloz que nunca pára, constante, mutável. Como tem de ser.

Prossigo. Pelas veias, ousadia, saudades de um dia em que não havia pressa de sonhar.

Os ideólogos agora mandam cartas com porte pago do exílio, onde cumprem com rigor o que lhes foi preparado, safra após safra. Vivem agora longe da loucura, perscrutam a razão com todos os dedos & credos & medos. Trocaram a teoria pela prática, a saga pelo folhetim, a arte pela luta, a noite pelo dia.

Como convém aos homens de valor.

[WALLACE PUOSSO / abril de 2005]


Meu respeito e minha admiração aos irmãos Paulo e Carlos Wovst - em Blumenau há mais de 10 anos e Giba, o repórter fotográfico que começou comigo no Jornal Vale Paraibano em 89 - hoje morando em Sampa. E também José Carlos Wovst, Helen Carvalho, Kelcei Aquino, Daniel Ortega, Ana Paula Candelária. Direto do exílio, de coração.

 Produzido por Wallace às 22h04 [] [envie esta produção]


Sábado , 02 de Abril de 2005

dez coisas   [por wallace puosso]



10 DISCOS

THERE AND BACK – Jeff Beck

QUASE ACÚSTICO – Celso Pixinga Trio

NA PAZ – Orlando Morais

MIRROR BALL – Neil Young-Pearl JAM

MTV UNPLUGGED – Bob Dylan

LÍRICAS - Zeca Baleiro

BEHIND THE SUN - Chicane

WHITE BLUES - Chet Baker

BLUES – Nina Simone

RENATO BRAZ – Renato Braz

 

 

10 LIVROS


CEM ANOS DE SOLIDÃO – Gabriel Garcia Marques

O PERFUME – Patrick Suskind

ÚLTIMOS ESCRITOS - Jim Morrison 

OS PRÊMIOS - Júlio Cortázar

40 ESCRITOS - Arnaldo Antunes

VERDADE TROPICAL - Caetano Veloso

ANGÚSTIA – Graciliano Ramos

A VIAGEM DE THÉO – Catherine Clément

O RETRATO DE DORIAN GRAY – Oscar Wilde

AS MENINAS – Lygia Fagundes Telles



 Produzido por Wallace às 19h24 [] [envie esta produção]



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::INDICAÇÕES DE ROTA::

IDENTIFICAÇÃO: Ator e diretor de teatro, poeta e compositor. Libra com ascendente em capricórnio. 3º decanato. Lua em Libra.

TUDO COMEÇOU EM: Dois mil e quatro.

GOOD TRIP: viajar; sair com os amigos; namorar; ir ao cinema; um violão na beira da fogueira; um filme europeu em casa com os amigos; ver peças teatrais; ensaiar peças teatrais; ler um bom livro; sair pra fotografar

SONHOS: viver de arte; escrever livros, conhecer a Espanha, a Grécia.

BAD TRIP: política partidária; gente burra; gente mal-educada; todos os tipos de dogma.

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