WALLACE PUOSSO

Sábado , 28 de Maio de 2005

Quem é o ator ?
Como qualquer mortal

Novela das oito, capa de revista, glamour, fama, fãs. Numa época em que a TV reina absoluta, algumas pessoas pensam na profissão de ator como a sorte grande: ganhar dinheiro para ser querido e admirado. Mas será que é só isso? Ou melhor, tudo isso?

Reynaldo Gianechinni, Vera Fischer, Caio Blat, Ana Paula Arósio. O que eles têm em comum? Todos são bonitos, queridos e ganham bem. Profissão? Atores. Longe de querer julgar ou medir o talento de cada um, não é esse o objetivo da matéria, há um fato inegável: num país com altos índices de desemprego, salários baixos e mercado de trabalho saturado não é difícil ouvir suspiros que vêm não somente de fãs apaixonados, mas de qualquer pessoa que gostaria de aliar prazer na profissão com dinheiro e fama. Muitos de nós, meros mortais, em sonhos de criança já quis ser galã de novela ou uma jovem e linda atriz. Porém, o que foge do conhecimento da maioria da platéia, e dos telespectadores, é que os atores são feitos de carne e osso. Eles sentem dor e sofrem desilusões que não “saram” no último capítulo. Mais que isso: alguns pegam ônibus para ir para casa, vão ao supermercado, ganham pouco...
“A televisão contribuiu muito para essa visão que as pessoas têm do ator”, analisa o ator Humberto Magnani, que a maioria conhece de algumas novelas da Globo. “É claro que o ofício do ator fascina as pessoas, até porque não tem rotina. Só isso é um desafio para o próprio ator. Muita gente não segura a onda de ter um emprego assim. O fato de não ser um trabalho solitário, como por exemplo um advogado ou jornalista em frente ao seu computador, facilita muito esse pensamento. Mas entender isso é o segredo para continuar na profissão. Muitos talentos não decodificaram esses códigos”. Magnani toca num ponto fundamental para esclarecer esse “mistério”: a diferença entre fama e prestígio. “Fama é aquela que quando você acaba de fazer a novela, já não te param tanto na rua. Prestígio você adquire principalmente com seus colegas de profissão”. O que nos remete ao fato de que atuar trata-se de uma profissão que, como qualquer outra, pode trazer ambas as coisas. E, por sua vez, essa condição pode ou não vir acompanhada de fortuna e glamour.

Ingresso difícil
Sucessos não faltam. Mas o contingente de “anônimos” também é grande. Eis um dentre os vários exemplos: uma garota de 24 anos, formada em jornalismo e que, hoje, “bandeou-se” para o teatro. Ela mesma não sabia que queria ser atriz até que, há sete meses, recebeu pelo correio uma mala direta que abriu um novo caminho para sua vida. “Eu sou uma das poucas pessoas que ainda lêem mala direta”, zomba Kátia Gomes, a mais nova atriz “amadora” da cidade. “Há muito eu procurava algo que preenchesse um espaço na minha vida. Até que eu comecei o curso de teatro.”
No início, a exemplo de muitos outros casos, tudo não passava de um jeito diferente de ocupar os domingos tediosos. Mas a coisa foi ficando séria. “Mesmo tendo uma certa proximidade com o teatro, eu não tinha a menor noção dos detalhes que compõem o resultado.” O próprio curso de teatro era um mistério para Kátia. Ela achava que iria entrar numa maratona louca de decorar textos e falas, mas não era nada disso. “É lúdico e completo. Envolve dança, música, expressão corporal. Eu me surpreendo comigo mesma a cada dia.”

Viver de atuar
Já o jovem ator Julio Pompeo nunca titubeou na hora da escolha. Durante uma greve na faculdade de jornalismo, em Florianópolis, ele foi para um festival de teatro em Blumenau. “Lá eu vi três peças da Unicamp que me deixaram deslumbrado.” O próximo passo foi iniciar o curso de artes cênicas na Universidade de Campinas. Desde então, atuar tornou-se seu árduo ganha pão.
Em relação à TV, o principal meio que pode levar um ator ao estrelato, Julio confessa que houve uma época em que até ansiou estar na pequena tela, mas depois se decepcionou e chegou ao extremo de achar que atores “de verdade” não poderiam se dar ao desfrute e hoje parece ter conseguido um equilíbrio. “Agora, tudo bem fazer. Hoje eu tenho um pouco mais claras as diferenças, sei onde estão os meus verdadeiros interesses, o que eu realmente gosto e acredito.”
Para Julio, que fez parte do elenco dos musicais Um Certo Faroeste Caboclo e Suburbia, os louros que coroam a fronte dos atores famosos, e os colocam na posição de semideuses, não apontam necessariamente para uma supervalorização de sua profissão.  “Nos anos 40, por exemplo, havia muita mitificação em torno dos atores da época. Mas era um momento em que estava acontecendo o boom das stars de Hollywood e se faziam bons filmes”, analisa. “O que eu vejo hoje, principalmente na TV, é que esse fenômeno, muitas vezes, coloca no pedestal pessoas que não têm nada a dizer, uma glamourização da ignorância.” No teatro, a tietagem também encontra lugar.

As armadilhas da fama
Até que ingressasse no curso da EAD (Escola de Artes Dramáticas, da USP), o ator Marcos Damigo não sabia que acabaria trocando o diploma de agronomia pelo DRT. “Apesar de saber que em termos práticos seria uma loucura, fiz exatamente isso.” Marcos, que já protagonizou uma novela no SBT e até pouco tempo interpretava um professor de teatro no seriado Sandy & Júnior, da Globo, nunca acreditou que ser ator fosse fácil, assim como não acredita no talento inato - “talvez isso que as pessoas chamam de talento seja a sensibilidade do artista”, ressalva - e conta, sim, com o trabalho, o estudo e o esforço. Aliás, muito esforço. “Há épocas em que eu estou super bem de grana e há épocas em que nem tanto.”
Marcos se lembra de que um dos períodos mais difíceis da carreira foi no ano de 1997. Coincidentemente ou não, período em que mais se envolveu com o teatro. “Eu estava no terceiro ano do curso e me aplicava muito”, recorda-se. “Eu montei dois espetáculos na EAD e os dois foram lindos. Só que foi o meu ano de maior dureza.” Ele explica que tais incidentes costumam acontecer na vida de um ator. “Isso cria uma condição de eterno suspense para o ator. Às vezes, você pode estar envolvido num trabalho maravilhoso, sendo super reconhecido pela crítica, aceito pelo público, mas não consegue pagar o aluguel. Nem sempre o reconhecimento artístico vem junto com o financeiro”, explica. O ator, que interpretou o personagem Tim no espetáculo Suburbia, confessa que sua vida muda muito quando está fazendo TV.  Eu vivi a fama em Fascinação, de uma maneira muito tímida, mas já deu para saber o quanto o ego pode ser traiçoeiro.” Por outro lado, desde que deixou o elenco de Sandy & Junior, Marcos conta que teve de voltar a se defrontar com questões relacionadas à mera sobrevivência. Assim como qualquer mortal.


matéria retirada da Revista e / SESC, nº 48



 Produzido por Wallace às 18h00 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 27 de Maio de 2005

llllll   trajetória em alto-relevo  llllll

 

 

Quantos heróis são necessários para se fazer história? / Uma narrativa sem memória / é como um tiro no escuro / um furo falho num atalho do tempo / sentimento de perda eminente. Sobreviver é achar um ponto / um sentimento pra qualquer ação. Amanhã já será ontem / quando o futuro chegar / quantas certezas / nos farão errar e acertar? / Será preciso esconder a culpa / achar uma desculpa / pra não querer voar? Devemos temer nosso lado escuro / escalar todos os muros / e então, num sussurro propor / juras e promessas de amor / que saberemos nunca cumprir? Abrir a mente é propor / que se pense o novo / como se nada mais houvesse / a não ser a própria vontade / a igualdade pela diferença / o conflito pela sentença / uma flor por um grito de dor / uma lágrima pela razão / num gesto obsceno, uma cena de amor. Porque fingimos tanto? Não há como fugir da própria sombra / viver na rotina é detonar a bomba / sem olhar para os lados. Nosso ópio / é a fé no que tanto duvidamos (ter dúvidas é seguir em frente). Tanto questionamento em mente / nos fará acertar algo? Quando foi que você / abraçou seu irmão e beijou sua mulher? Quando a guerra era inevitável? Quando você já estava condenado por uma doença sem cura? Foi quando você descobriu enfim / que viver era bom? Sem chance. Deixar para o outro dia / é sempre a melhor desculpa / e aquilo que tanto preocupa / é cultuar o óbvio / como se fosse novidade. Deveríamos viver todos os dias / como se fosse o último? O futuro é uma janela / no alto e no escuro. Deixar de pensar / é ficar à mercê da sorte / aguardar a própria morte / num silêncio súbito / de quem cala e consente. Tudo é mistério / e todo mistério é sempre bem-vindo / quando é bem dividido. Seremos póstumos a nós mesmos.

 

l wallace puosso / mai 05 l



 Produzido por Wallace às 12h25 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 25 de Maio de 2005

l a nação blue a caminho do sol l

 

Esperanças cruzam os céus do Brazil, nestes tempos de tiroteios sócio-políticos.

Um país de tantos Josés, Franciscos, Marias & outras quimeras compadecidas de fé & alegria, que num tempo passado foi promessa de futuro & hoje deriva num mar de incertezas. Ser brasileiro é dom, privilégio, é a possibilidade de fuga pra Passágada ou Xangri-lá. Somos um pouco João Gilberto, Gil, Ben & Caê musical, mestre Caymmi e todos os sons da Bahia de São Jorge Amado. Outraspalavras.

Entre o Pacífico/Atlântico, o verde é mais denso no mar de copas da Amazônia, reino de bravos & mitos. Por dever de luta dos seringueiros contra o Dragão da Maldade & da Hipocrisia, um dia tentaram calar umavoz com tiro mas a natureza das coisas justas é soberana: perdeu-se uma batalha, mas não a luta. Hoje temos milhares de Chicos Mendes espalhados por aí, nos movimentos dos sem-terra, dos sem-teto, dos sem-arte & dos sem-educação. Pendurados nas construções, nos trens suburbanos, pelas praças, pelas metas fechadas, todos alertas na escuridão da mata selvagem de um neoliberalismo falido.

Inerente a tudo isso, é preciso ter força, é preciso ter raça, sempre, ser da terra, com pé no chão, porque esperança sobe, desce, amadurece & sempre dança na corda bamba de sombrinha. A saudade tem a vontade & a cara bonita de Elis, mas nossa cultura involuiu & os nossos ídolos ainda são os mesmos. Porque será?

Nas Geraes ecoam sempre bons ventos, sentimentos de terra úmida e fértil, sons de serra, carro de boi, palhoça, festa na roça. Todaslínguas, todascores, tudo é palavra sábia na língua materna da natureza. Pelos caminhos de ferro, a Maria Fumaça já não canta nem encanta & tudo se enferruja pela ação do tempo implacável, até o ato de partir, rumo a um novo sol de primavera. Adoráveis paragens cariocas, de todas as Copacabanas, Ipanemas & Leblons. Todos os caminhos parecem levar ao Cristo Redentor, que continua de braços abertos & olhos fechados para a cidade que vive sob o medo. Num país que produz numa velocidade desconcertante, tantos Pixotes, Sandros, Parejas, anjos com um colt 45 na cintura. Vivemos nas entranhas de cidades caladas, mudas de perplexidade, respirando metais dourados & em torno das mesas dos bares, nas gerais dos estádios, nas arquibancadas dos rodeios, além da boa cerveja, há sempre jovens, velhos, anarquistas, poetas, capitalistas e errantes navegantes jogando conversa fora.

Panis et circenses. Assim se equilibra uma nação.

Drummond ainda é ponto de referência na carência turbulenta da nossa educação, uma bússola, um instrumento de sensibilidade. O poeta do tempo presente, criando o tempo futuro. Há também Vinícius de todas as paixões & canções, as mulheres de Atenas, de Hollanda Paratodos, andam pela vida, espalham-se pelas esquinas noturnas. Em cada alma calma, um país pra estrangeiro. Cecília, Coralina, Lígia Telles, Clara Nunes & outras tantas heroínas. O Brasil tem alma feminina, tem prazer, sedução.

Isso é o que mais me anima nessa sina de país que nunca acontece.

 

l wallace puosso / mai 05 l

 



 Produzido por Wallace às 16h19 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 23 de Maio de 2005

l desconversando com certo alguém l

 

Marrakesh é distante, quase utópico, Mahabarata é hindu assim como o Tao, Oriente.

Oriente-se: onde estaria eu se não fosse em função de ser feliz e viver bem?

Maktub é palavra-chave. Quer dizer “assim seja”

Alguns estão fora da ordem na nova ordem mundial – já disse alguém na Bahia - e não se pode ficar fora. Fora de quê?

Vivo em meio à margem da margem, miragem no epicentro da criação.

Se criar é matar a morte, todo poeta passa-se por imortal. Poetas trabalham o ócio e trabalham bastante! Transformam tristeza em alegria, melancolia em ritmo.

Duro esse ofício da escrita!

Escrevo porque gosto. Palavras me guiam a qualquer lugar e qualquer um é distante o suficiente para que eu não perca meu destino de vista.

Toda letra há de ter uma música à altura, toda certeza precede um ato falho. A própria frase não deixa de sê-lo, como licença poética.

Prefiro minhas dúvidas – elas conduzem ao conhecimento.

Depois a gente conversa.

 

l wallace puosso / mai 05 l



 Produzido por Wallace às 17h21 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 19 de Maio de 2005

ainda falando sobre relacionamentos...


Diretor analisa a nova desordem amorosa

Luiz Zanin Oricchio
Agência Estado

 

Não ficaria mal dizer que Pedro Almodóvar é o mais afiado analista da nova desordem amorosa. O que vem a ser isso? Talvez o rescaldo da liberalização dos costumes dos anos 60, entrando em choque com o neo-moralismo pós-Aids. O balanço desse choque de caminhos contrários mostra uma revolução que não se cumpriu combinada com uma regressão que não se realizou. Ou seja, uma confusão danada, pelo menos na aparência.

Almodóvar é intérprete de uma vertente libertária, porém sofrida, da experiência sexual humana. Por ter consciência do caos - mas também por ser um grande cineasta - consegue, como ninguém, traduzir para os comuns mortais o que se passa na esfera confusa da sexualidade de fim de milênio. Essa, digamos assim, clarividência de artista torna plausíveis algumas das mais improváveis situações.

O espectador sensível não irá estranhar que um travesti como Lola (Toni Canto) seja pai amoroso de duas pessoas, ou tenha sido casado com uma mulher tão feminina quanto a enfermeira Manuela (Cecilia Roth) e amante de uma irmã de caridade (Penelope Cruz). Ou que a diva Huma Roja (Marisa Paredes), estrela da peça "Um Bonde Chamado Desejo", namore e brigue com a atriz com quem contracena. Ou que a mais caridosa das criaturas da história seja outra travesti, Agrado, interpretada por Antonia San Juan.

O mesmo espectador sensível e inteligente irá perceber outra coisa. Por baixo dos escombros da moral clássica, Almodóvar detecta a estranha permanência de uma noção tida por ultrapassada, a de família. Se você abstrair de Lola o fato de ele ser um travesti, verá que se comporta como um clássico pai culpado, desleixado com sua cria e, por isso, cheio de remorsos. Manuela age como a mãe típica, não importando a origem do filho ou a opção sexual do marido. O mesmo pode ser dito de Agrado, Huma e as outras personagens. São figuras "quase" convencionais.

E esse "quase" faz toda a diferença. Almodóvar percebe que tudo muda e tudo permanece o mesmo. Porque há um movimento frenético de superfície e uma resistência obstinada da estrutura. Os papéis se redistribuem, mas a família tradicional continua. Não continua do mesmo jeito. Essa pequena mudança é o que a vaidade humana chama de progresso.

 

FICHA TÉCNICA
Título Original: Todo sobre mi madre
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 101 minutos
Ano de Lançamento (Espanha):
1999
Site Oficial: www.spe.sony.com/classics/allaboutmymother

 

SINOPSE
No dia de seu aniversário, Esteban (Eloy Azorín) ganha de presente da mãe, Manuela (Cecilia Roth), uma ida para ver a nova montagem da peça "Um bonde chamado desejo", estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes). Após a peça, ao tentar pegar um autográfo de Huma, Esteban é atropelado e termina por falecer. Manuela resolve então ir de encontro ao pai, que vive em Barcelona, para dar-lhe a notícia, quando encontra no caminho o travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa (Penélope Cruz) e a própria Huma Rojo.



 Produzido por Wallace às 13h35 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 17 de Maio de 2005

o mal do século

De Nelson Botter Junior

 

A superficialidade dos relacionamentos modernos é de apavorar qualquer poeta. O mais engraçado é que as pessoas nem se espantam com certos fatos, como a separação relâmpago daquele casal galáctico do castelo de chantilly. Virou rotina, casamento já é visto como uma bomba-relógio, ou seja, uma hora vai explodir. Oras, mas isso não é nada comparado a ser demitido por fax e e-mail, como anda acontecendo por aí...

 

Amizades virtuais são a última moda. Aliás, estão querendo fazer do mundo virtual uma dimensão paralela, coisa no melhor estilo "Além da Imaginação". Besteira, é preciso ter consciência que a Internet faz parte do mundo real e que tudo que é feito lá tem conseqüências em nossas vidas, que - até onde me lembro - é muito real e nada virtual. What is the matrix?

 

Outro dia um amigo estava triste porque terminou um namoro virtual. O que era isso? Ele disse que namorava com uma menina pela Internet. Detalhe: nunca se viram pessoalmente. Hein??? É, para esse tipo de coisa você precisa ser bom no manejo do mouse com a mão esquerda. Cuidado para não respingar na tela!

 

Tem mais, o tal mundo virtual é o melhor lugar para se roubar ou clonar identidades. Qualquer um pode produzir ovelhas Dolly. Muita gente acha que a Internet é uma máscara, onde podemos ser quem quisermos, do jeito que bem acharmos, desrespeitando as pessoas a torto e direito, sem correr o risco de sermos descobertos. Basta ver o Orkut, em que "celebridades" aparecem distribuindo sorrisos e mensagens aos "meros mortais". Muitos desses artistas nem sabem o que é Orkut. Quem está lá, usando o nome e a imagem deles é algum "mero mortal" recalcado. Com os e-mails Yahoo ou Hotmail da vida, qualquer um pode ser o Silvio Santos. Perigoso. Ah, mas é só uma brincadeirinha! Sei, isso o camarada diz enquanto não é a identidade dele que está sendo roubada. Insisto: o mundo da comunicação em rede não é virtual. É preciso respeito.

 

Ah, talvez seja isso que esteja faltando para que os relacionamentos de um modo geral não sejam tão superficialmente high-techs: respeitar ao outro como você quer ser respeitado. Quem sabe assim os casamentos serão melhores e mais duradouros, as amizades serão verdadeiras e não emailzeiras, os namoros serão todos olho no olho e não olho na tela, e daí por diante. Mas falta tempo! Estamos sempre correndo! Essa é a melhor desculpa do mundo moderno: "estou na correria, cara". Oras, gerenciamento de tempo não é nenhuma mágica, nenhum poder exclusivo dos Jedis... Organize-se, as coisas melhoram, aos poucos, mas melhoram.

 

Precisamos ser sinestésicos, procurar o contato com os outros, mostrar importância. Torço piamente para que isso tudo aconteça, inclusive porque aí poderei falar de outros assuntos mais agradáveis, que não incomodem a quem escreve e a quem lê. O poeta contemporâneo não morre mais de tuberculose, mas sim de desgosto.


Nelson Botter Junior é cronista do Blog BLÔNICAS (http://blonicas.zip.net/)



 Produzido por Wallace às 20h13 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 16 de Maio de 2005

l estrangeiro l

 

É óbvio que sabes / não aprendeste apenas / nos semanários e científicos. / Artaud? Sartre? Nietzsche? Von Daniken? / David Bowie é póstumo há anos / Roberto Piva emaranhado / na bela e desgovernada paulicéia / jamais faria jus à baderna instituída / da arte contemporânea / medíocre / media mass / mediana / uma parte da arte. Estás certo / pelo acerto de forças / que somente aos poetas cerca / tudo está por ser criado. / Quintana? Nei Lisboa? Walter Franco? / Walter Salles recria-se como oroboro / continuamente / somos estrangeiros / numa terra estrangeira / conhecida e inexplorada.

l wallace puosso / mai 05 l


PARA LER: Poema Sujo – Ferreira Gullar / Ed. Civilização Brasileira

PARA OUVIR: Do Cóccix até o Pescoço – Elza Soares / Maianga Discos

PARA ASSISTIR: A Última Noite – Spike Lee 



 Produzido por Wallace às 23h23 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 12 de Maio de 2005

l balada para um deus pagão l

Eis que o inevitável precedeu os acontecimentos com a fúria trovejante que só a bebida, a música & o sexo são capazes de fazer. E lá para as bandas da Praia de Antigos - segundo a lenda, um Éden a ser circularmente redescoberto - o Cara que foi expulso do projeto de metrópole com seus versos infames, desabafa com um velho pescador & mais tarde perde-se em devaneios viajando numa borboleta meio azul, meio violeta & amarela que pousou em seu pé & ele na verdade não está tão preocupado com o tipo de carne que vai comer, o que realmente faz a diferença é saber usar de maneira correta a barraca & entornar vinho o suficiente para não ir contar carneiros mais cedo que o habitual. Um Outro, conquistador barato por natureza, metido a surfista de ondas de meio metro, diz a uma pequena & atenta platéia que já não é mais o mesmo: conheceu uma bailarina linda de morrer, se engraçou por uma atriz & entrou bem ao descobrir que a gula é um pequeno pecado insustentável. Do outro lado, o Drácula freudiano troca uma idéia com as nuvens que antecedem o breu, fuma de leve um cigarrinho de palha, que ninguém é de ferro & se prepara pra tocar violão, sentado como todos os outros conselheiros da Grã Ordem do Verbo, ao redor da fogueira enquanto um outro sassarica a poupinha da morena fogosa, que dizem, não tem dono, só aplausos no palco. Amor é mera utopia gritava o fulano da iglu mais distante enquanto transava a palavra com uma polaca de parar trânsito & como ali isso era improvável, ela acabou mesmo é parando naquele velho papo de que a vida é curta & um dia a terra come, etc..., enquanto mais uns dois ou três preparavam com afinco a cerimônia xamaísta.

l wallace puosso / mai 05 - estrangeiro l



 Produzido por Wallace às 07h41 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 10 de Maio de 2005

SÉTIMA ARTE


a palavra contra a barbárie
Por Pedro Maciel Guimarães

Manoel de Oliveira começou a filmar na era muda, mas a fala sempre foi a base de seu cinema, como em "Um filme falado", em cartaz em São Paulo

Quem vem acompanhando de perto a carreira de Manoel de Oliveira, talvez tenha se perguntado por que o diretor português levou tanto tempo para dirigir uma obra que traz o sugestivo título de “Um filme falado” (em cartaz em São Paulo). Por ser, atualmente, o único cineasta em atividade a ter começado a fazer filmes na época do cinema mudo (data desse período uma de suas obras maiores, “Douro faina fluvial”, de 1931), o fato de explicitar no título uma dimensão estética, digamos, obrigatória para a grande maioria dos filmes produzidos nas últimas sete décadas serviria por si só para despertar o mínimo de interesse em torno da obra. Mas o grande motivo que faz de “Um Filme Falado” uma obra coerente e arraigada no universo de Oliveira é o seu lado falador.

Assim como Eric Rohmer, Ingmar Bergman e Jean-Marie Straub, Oliveira (nascido em 1908) é um cineasta da palavra, um diretor que se apóia sobretudo na oralidade para passar a sua mensagem -isso não quer dizer, no entanto, que esses diretores não tenham se destacado também na maneira de criar novos estilos de mise-en-scène.

Simplesmente, o que importa na carreira de Oliveira e desses outros autores é o uso que a palavra -e por consequência, o texto lido em voz alta, o diálogo, a fala, a entonação da voz dos atores e a voz em off- adquire dentro de um contexto histórico, social e estético. “Para mim, tudo se constrói em torno do texto. Ele é a fonte de inspiração. Os cenários, o figurino, tudo isso existe por uma única razão : dizer um texto”, confessou Manoel de Oliveira numa entrevista à época do lançamento do filme “Francisca”.

Comecemos pelo uso do texto lido em voz alta dentro da filmografia de Manoel de Oliveira. Tal procedimento, dispositivo recorrente do cinema contestador e engajado de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (vide “Operai, contadini”, 2001), penetra no universo de Oliveira duplamente legitimado através do teatro (onde mais falar um texto em voz alta não pareceria inapropriado senão em um palco?).

O diretor português, admirador dos textos de Paul Claudel, Beckett e José Régio é o autor da homérica adaptação de quase sete horas de “O sapato de cetim”, de Claudel, e mais recentemente de “O quinto império”, de Régio. Foi, aliás, através de uma outra adaptação da obra de José Régio que Oliveira se utilizou do teatro para discutir as possibilidade visuais e sonoras do meio cinematográfico.

O longa-metragem “Meu caso” (1986) é uma obra cujo interesse repousa todo ele sobre as manipulações estéticas e técnicas operadas por Oliveira. Usando abertamente da metalinguagem, o diretor filma uma trupe teatral que é interrompida a todo momento ao encenar seu texto por um homem misterioso que insiste em contar ao público do cinema (já que o teatro se encontra vazio e os atores olham diretamente para a câmera) o “seu caso”. E é justamente através da manipulação do som, da voz dos atores e da banda sonora do filme que Oliveira atinge o seu diferencial com relação a outras obras de teatro filmado.

Depois de assistirmos ao desenrolar da história em tempo “normal”, revemos a mesma “seqüência” mais duas vezes: a primeira, muda, permeada por trechos quase incompreensíveis de textos de Beckett, e a segunda, em movimento acelerado, em que a banda sonora (formada sobretudo pela voz dos atores) é invertida, acompanhando o ritmo das imagens.

Outra obra de fonte teatral da carreira de Manoel de Oliveira, mas que desperta discussões completamente diferentes destas, é “Ato de primavera”. O ato da primavera dos camponeses portugueses nada mais é do que a Paixão de Cristo, numa mise-en-scène que mistura tradições populares e brutalidade emotiva num ambiente despojado de qualquer recurso estetizante. Além das discussões sobre os limites e confluências entre ficção e documentário (o crítico René Predal discorre longamente sobre como Oliveira filma tridimensionalmente a Paixão de Cristo, sua representação e o rito social dos aldeões trás-montanos, esse filme de 1963 é um rico documento antropológico sobre a maneira por meio da qual os “atores-diretores” expressam oralmente o texto bíblico.

Misturando canto, fala e lamento num tom monocórdico de voz (e no entanto, carregado de sentidos e conotações), Oliveira consegue extrair da rudimentariedade oral dos trás-montanos (os habitantes do norte de Portugal tem uma maneira singular de falar, sobretudo nas regiões mais interioranas) uma gama sutil de verdade e pureza de sentimentos raramente vista nas telas. Segundo Lardeau, Tancelin e Parsi, referindo-se a “Ato de primavera”: “Entre o canto e as palavras, as vozes e o texto dito como se fosse em câmera lenta colocam a ação em suspenso e concentram toda a atenção do público sobre o texto”.

Embora não tenha um critério de direção de atores fixo, Manoel de Oliveira conseguiu um efeito de espontaneidade de falas e diálogos similar ao de “Ato de primavera” mais de 30 anos depois, com o filme “A caixa”. Nesta “pura ficção”, a ação era transferida para um bairro pobre de Lisboa e a personagem central (um cego que desperta a inveja dos vizinhos por causa da sua caixinha de esmolas) se expressa como numa cantiga de rua.

Esses dois filmes resumem bem um traço único da obra do diretor: a maneira singular e quase paradoxal de falar dos atores de Oliveira, entre declamação teatral e veracidade retórica, erudição e popularismos, frieza e profundidade. Para os lusófonos, filmes como esses de Oliveira têm um interesse e um sabor especial, um frescor misturado com um ranço que a língua portuguesa, falada em Portugal, ainda guarda como algo imutável e congelado no tempo, uma idéia de intimidade e estranhamento que une brasileiros e portugueses em torno de uma língua comum. 

O roteiro da obra mais recente do diretor dá assim à palavra um caráter didático e conciliador das incompatibilidades humanas. Primeiro, ao colocar em cena uma professora que leva sua filha a uma viagem pelas origens da civilização mediterrânea e ocidental, Manoel de Oliveira dá uma aula de história, pega na mão do espectador e o leva a percorrer locais da formação da sociedade cristã ocidental.

Por fim, a seqüência em que as três atrizes principais do filme (uma francesa, Catherine Deneuve, uma italiana, Stefania Sandrelli, uma grega, Irene Papas), e o capitão do navio (um americano, John Malkovich) discutem na mesa do jantar, cada um em sua língua natal, todos eles entendendo perfeitamente, resume bem à intenção do diretor em fazer da palavra o último e o mais legítimo instrumento contra a barbárie, os conflitos e a intolerância.


Pedro Maciel Guimarães
É jornalista, mestre em cinema pela Universidade Sorbonne Nouvelle (Paris 3). Trabalha atualmente em tese de mestrado sobre o cinema português e Manoel de Oliveira.


 Produzido por Wallace às 12h27 [] [envie esta produção]


Sábado , 07 de Maio de 2005

marco zerocinco

Dia 8 de maio, este blog completa 5 meses.

 

Durante esse tempo, foram publicados aqui, textos próprios (contos, poemas, crônicas), críticas especializadas sobre cinema e teatro, fotos (http://celebreiros.nafoto.zip.net), os diários de bordo dos espetáculos “Adultério” e “Mulheres de Nelson” e aproveitei para experimentar a repercussão dos textos que compõe meu próximo livro, “Estrangeiro”.

 

Algumas pessoas foram assistir aos espetáculos por indicação do blog, e isso foi bastante positivo. O filme “Irreversível” (postado em 17 de janeiro deste ano) causou repulsa e revolta em quem assistiu. Virou motivo de discussão e debate em locais da cidade. Independente de juízo de causa (se o filme é bom ou não, se é uma obra de arte ou apenas mais uma parte do imenso entulho que a arte contemporânea tem produzido equivocadamente), apesar disso, o debate e o confronto de idéias é sempre saudável. E por fim, o texto “Independência” do Márcio Libar, um dos muitos batalhadores por um teatro brasileiro feito com dignidade e respeito.

 

Nesse texto específico o tema tratado remete a uma reflexão anterior: qual a importância que as pessoas, em geral, dão ao produto artístico? Qual é a função do próprio artista na valorização do seu trabalho?

 

Perguntas que fazem pensar.

 

 

SOBRE NOMES

 

Outra questão levantada em algum momento, durante esses cinco meses, foi com referência ao nome do blog. Porque Estrangeiro? – algumas pessoas perguntam, outras se irritam achando que sou um xenófobo. Não é nada disso. Diário de Bordo e Estrangeiro são apenas um jogo de palavras, nada mais. Sou brasileiro, natural de São Paulo e residente em São José dos Campos a mais de vinte anos. E sei que todas as culturas têm traços universais, independente da língua. Por isso são essenciais.

 

Quanto ao sentido figurado da palavra Estrangeiro, é uma referência clara ao sentimento que tenho com relação à cidade onde vivo, trabalho e tenho família e essa sensação se acentuou bastante nos últimos anos. Mas essa também é uma posição política minha. É assim que me sinto frente aos desmandos, as ausências, às ingerências. Enfim...

 

O nome que se encontra no endereço do blog – Celebreiros é o nome da ONG na qual trabalho há cinco anos, como Coordenador de Projetos e Captador de Recursos. Além disso, sou um dos administradores do Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas, um centro de referência teatral na cidade e também coordeno a Celebração ao Renascimento da Poesia desde 1999.

 

O que vem a ser “Celebração...”? Bem, isso é assunto para uma próxima postagem.

 

 

O QUE É UM DIÁRIO DE BORDO

 

O diário de bordo é um precioso auxiliar de navegação. É o local onde se anotam e registram diversos fatores que ocorrem numa viagem. Apesar de não ser obrigatório nos barcos de cruzeiro, deve ser usado, pois além de ter anotado a atividade de bordo, acaba por ser uma excelente recordação de um cruzeiro quando bem preenchido. Numa travessia longa de alguns dias ou semanas o registro torna-se útil, nos dados para navegação, e mais ainda, numa sempre possível e indesejável avaria.

 

 

“ESTRANGEIRO”, SEGUNDO O DICIONÁRIO HOUAISS

 

fr. étranger (sXIV) 'id.', de étrange (estrange sXII), do latim extranèus,a, um 'o que é de fora', de extra 'fora'; ver estrangeir-; f.hist. sXIV strangeiro, sXV estrrangeiro

 

>adjetivo e substantivo masculino

Derivação: sentido figurado
No caso do título deste blog: que ou o que não pertence ou que se considera como não pertencente a uma região, classe ou meio; forasteiro, ádvena.



 Produzido por Wallace às 19h41 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 03 de Maio de 2005

150 palavras


l o poeta do silêncio l

Solidão e incomunicabilidade. Em meio às ruidosas aventuras e roteiros óbvios que a meca do cinema produz atualmente, Antonioni destaca-se como poeta de imagens plasticamente bem elaboradas e filma o silêncio e a solidão com uma desesperada elegância. Na obra antoniana, o silêncio diz mais que mil palavras. Fina estampa. "Vizione del Silenzio", assim Caetano inicia sua canção em homenagem ao mestre. Esquinas vazias, páginas em branco, poemas concisos. Sete versos, vinte palavras. Na ponte aonde se encontram a concisão da poesia cantada com a perfeição estética gravada no celulóide, Caetano e Antonioni parecem afirmar: menos é mais. O homem moderno parece ter perdido o sentido da palavra, do primitivo, da essência. Está condenado – como "Entre Quatro Paredes" de Sartre – ao vazio existencial e a ser consumido pelo tédio. A contrário do cinema moderno, Antonioni é um artista do essencial, como poucos. Mínimas palavras, cenas que dizem mesmo sem dizer.

l wallace puosso / mai 05 l


PARA CONHECER MAIS: "A Noite" - Michelangelo Antonioni  /  "Rocco e seus Irmãos" - Luchino Visconti / CD "Noites do Norte" - Caetano Veloso



 Produzido por Wallace às 16h35 [] [envie esta produção]


Domingo , 01 de Maio de 2005

150 palavras


l bancando john fante l

Começou como brincadeira. Esse negócio de blog. A princípio ele se limitava a olhar para aquela coisa com teclado e monitor e aquilo lhe era estranho. Seguidor dos beats, a modernidade lhe soava um tanto estéril: sempre escrevera à mão, em caderno brochura, poemas e contos de sacanagem. Resolveu encarar de frente essa brincadeira e criou um blog com seu próprio nome. Hoje, é personagem de si mesmo, um egóico, mora num apartamento emprestado por um leitor e vive de "bicos". Faz questão de dizer que esse jeito "outsider" não é moda, mas necessidade: "literatura marginal não paga nem a feira". A crítica de plantão torce o nariz e não vê sentido nessa nova escritura, impregnada de blogs e pessoas que sempre tem o que dizer. A crítica jornalística, principalmente. Mas ele não assina nem lê jornais. E escreve para uma parte considerável de silenciosos anônimos. Ele, também um anônimo.

l wallace puosso / mai 05 l


CD:  When the Pawn (Fiona Apple)

Livro: Homens são de Marte, mulheres são de Vênus (John Gray, Ed. Rocco)



 Produzido por Wallace às 12h29 [] [envie esta produção]



[ Literatura Anterior ]
 
 
 
       
   

 

::INDICAÇÕES DE ROTA::

IDENTIFICAÇÃO: Ator e diretor de teatro, poeta e compositor. Libra com ascendente em capricórnio. 3º decanato. Lua em Libra.

TUDO COMEÇOU EM: Dois mil e quatro.

GOOD TRIP: viajar; sair com os amigos; namorar; ir ao cinema; um violão na beira da fogueira; um filme europeu em casa com os amigos; ver peças teatrais; ensaiar peças teatrais; ler um bom livro; sair pra fotografar

SONHOS: viver de arte; escrever livros, conhecer a Espanha, a Grécia.

BAD TRIP: política partidária; gente burra; gente mal-educada; todos os tipos de dogma.

LITERATURA ANTERIOR

  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/07/2005 a 31/07/2005
  01/06/2005 a 30/06/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/04/2005 a 30/04/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005
  01/12/2004 a 31/12/2004




Procure uma entidade beneficente:

antispam.br

OUTROS SITES
    RECANTO DAS LETRAS
  ESCREVINHADORES
  FOTOLOG WALLACE
  Teatro - Cia. Fábrica de Cenas
  Teatro - Cia. Teatro da Cidade
  Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas
  Teatro de Tábuas
  Teatro - LUME
  Teatro - Sutil Companhia
  Teatro - Theatre du Soleil
  Teatro - Zecora Ura
  Teatro - REDEMOINHO
  Teatro - Grupo Tempo
  Ateliê de Criação Teatral
  Teatro - Odeon Cia. Teatral
  Teatro - Barracão Teatro
  Teatro Brasileiro
  Teatro - Biblioteca Virtual
  Teatro - Enciclopédia ECA
  Teatro - Proscênio
  Teatro - Companhia do Latão
  Teatro - Oficina
  Teatro - Parlapatões
  Teatro - Grupo Teatro da Terra
  Teatro - Etc e Tal
  Teatro - Cirque du Soleil
  Teatro - Antonio Nóbrega
  Teatro Brincante
  Teatro - Beckett
  Teatro - Gerald Thomas
  Teatro - Odin Teatret
  Teatro - Companhia do Feijão
  Teatro da Vertigem
  Teatro do Pequeno Gesto
  Teatro - Grupo Galpão
  Teatro de Anônimo
  Teatro - Grupo Tá Na Rua
  Teatro - Projeto Mundo ao Contrário
  Teatro - Dario Fo
  Teatro - Fraternal Companhia
  Teatro - Pina Baush
  Teatro - Os Satyros
  Teatro - Mário Bortolotto
  Teatro - Denise Stoklos
  CPT - Centro de Pesquisas Teatrais
  Teatro Fábrica São Paulo
  Teatro e Literatura - Tchekhov
  Teatro - Cemitério de Automóveis
  Centro Teatro do Oprimido
  Teatro - Jornal Sarrafo
  Teatro - Guia OFF
  Links sobre teatro
  Teatro - Na Cena
  Literatura e Teatro -
  Música - REM
  Música - Pearl Jam
  Música - Chico Buarque
  Música - Tom Jobim
  Música - Tom Jobim
  Música - Caetano Veloso
  Música - Morrissey
  Música - Bob Dylan
  Música - Cazuza
  Música - Radiohead
  Música - Manu Chao
  Música - Chico César
  Música - IRA!
  Música - Orquestra de Viola
  Música - Cordel do Fogo Encantado
  Música - Arnaldo Antunes
  F.UR.T.O.
  Música - Mirian Cris
  Música Eletrônica - Rebordose
  Música - Barbatuques
  Música - Velhas Virgens
  União Brasileira de Escritores
  Cultura e Literatura
  Revista Preá
  Carta Capital
  Literatura - Rubem Alves
  Literatura - Portal Literal
  Revista Caros Amigos
  Poesia - Casa do Sol
  Outra Coisa
  Revista Cult
  Literatura - Palavreiros
  Literatura - Revista Agulha
  Literatura - Materika
  Literatura - Alforja
  Literatura - Baquiana
  Literatura - Bestiário
  Projeto Diário de Literatura
  Literatura - Letra e
  Literatura - Paulo Leminski
  Literatura - Marcelo Mirisola
  Literatura - Pablo Neruda
  Literatura - Vinícius de Moraes
  LIVROS VIRTUAIS GRATUITOS
  El Poder de La Palabra
  Literatura - Morfina
  Garotas que dizem ni
  Academia Brasileira de Cordel
  Literatura - Usina de Letras
  Cinema - Michael Moore
  Cinema - Porta Curtas Petrobras
  Cinema - Unibanco Arteplex
  Cinema - Curta Agora
  Fotografia - Fotógrafos de Pará
  Fotografia - Sebastião Salgado
  Fórum Social Mundial
  Fundación Cultural de las Américas
  Produtora - Academia de Filmes
  Produtora - Cara de Cão
  Produtora - Cine
  Produtora - Companhia de Cinema
  Produtora - Conspiração Filmes
  Produtora - FilmPlanet
  Produtora - Jodaf Mixer
  Produtora - Zero Filmes
  Produtora - Casa de Cinema de Porto Alegre
  Produtora - Yes
  Blog - Gerald Thomas
  Blog - Leila Pinheiro
  Blog da Dazinha
  Blog - Nanda Rovere
  Blog - Decca
  Blog - Vermelho Carmim
  Blog - Arte e Política
  Blog - Quarta Parede
  Blog - Marisa Lobo Viana


VOTAÇÃO
    O Diário de Bordo agradece a sua nota. Mas, sua presença aqui é sempre importante!



O que é isto?