WALLACE PUOSSO

Segunda-feira , 29 de Agosto de 2005

dez coisas   


10 LIVROS

DOM QUIXOTE – Miguel de Cervantes

CRIME E CASTIGO – Fyodor M. Dostoievski

ANNA KARENINA - Leon Tolstoi

O ESTRANGEIRO - Albert Camus

MADAME BOVARY - Gustave Flaubert

1984 - George Orwell

ANGÚSTIA – Graciliano Ramos

O TEMPO E O VENTO – Érico Veríssimo

O RETRATO DE DORIAN GRAY – Oscar Wilde

MACUNAÍMA – O HERÓI SEM NENHUM CARÁTER – Mário de Andrade



10 FILMES

CARNE TRÊMULA – Almodóvar

NOITES DE CABÍRIA – Federico Fellini

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL – Glauber Rocha

ABRIL DESPEDAÇADO – Walter Salles

CRIME EM MANHATAN – Woody Allen

A LIBERDADE É AZUL - Krzysztof Kieslowski

LARANJA MECÂNICA - Stanley Kubrick

ASAS DO DESEJO – Win Wenders

O TRONO MANCHADO DE SANGUE – Akira Kurosawa

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAN - Jean-Pierre Jeunet




10 TEXTOS TEATRAIS

VESTIDO DE NOIVA – Nelson Rodrigues

ÁLBUM DE FAMÍLIA – Nelson Rodrigues

O PAGADOR DE PROMESSAS – Dias Gomes

ESPERANDO GODOT – Samuel Beckett

O CÍRCULO DE GIZ CAUCASIANO – Bertold Brecht

A CASA DE BERNARDA ALBA – Federico Garcia Lorca

FAUSTO - Goethe

HAMLET - William Shakespeare

REI LEAR - William Shakespeare

ÉDIPO REI – Sófocles



 Produzido por Wallace às 13h36 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 26 de Agosto de 2005

Arthur Bispo do Rosario
20 garrafas - 20 conteúdos
Madeira, cartão, plástico, tecido. 110 x 48 x 15 cm.

 

CONFUSÃO, CAOS E ARTE


Hoje uma delicada garota lançou ao vento uma pequena indagação: se toda pessoa confusa se torna um artista. Ou se todo artista é uma pessoa confusa.
Confesso que a pergunta, tal qual ciranda, brincou em minha mente confusa de sagitariano.
É confuso aquele que opta pela arte? Ou é a arte que se confunde com o caos?
É o artista um ser desordenado, tumultuado e revolto? Ou é a arte confusa do artista que faz de sua alma um vazio obscuro e ilimitado?
A confusão do artista é como o abismo fundamental que precede e propicia a criação.
A arte é uma grande confusão, uma enorme desordem. Assim como o artista revela claramente um comportamento imprevisível. Exibido claramente quando frente a sistemas regidos, criados por leis deterministas.
É sem duvida, a confusão permanente no processo criativo, que faz do artista um ser extremamente sensível a variações.
A arte portanto, depende do caos criativo, manifestação existente apenas em pessoas confusas. Será portanto, o artista aquele indivíduo mal-distinto, perturbado, hesitante e perplexo? Talvez!
Mas tive comigo mesmo um embate furioso, um choque impetuoso de proporções catastróficas.
Será possível que a capacidade do artista de pôr em prática uma idéia, valendo-se apenas da faculdade de dominar a matéria física e emocional, possa ser apenas uma ação instintiva determinada por um ato ilógico de uma pessoa confusa? Creio que não.

Aqui, tomo a liberdade de expor uma crença muito particular: acredito e defendo que a reação que desencadeia toda a criação vem de mentes lógicas e capazes de reagir e agir em múltiplas frentes perceptivas ao mesmo tempo, ação que com certeza uma pessoa confusa dificilmente conseguiria desenvolver.
Uma criação artística é a fusão de sensações controversas e do estado de espírito momentâneo do artista enquanto individuo e criador.
Portanto, o que define o caráter estético de uma obra, é sem duvida a carga emocional, carregada de vivência pessoais e profundas; vividas por ele, o artista.
E a capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos, desperta em outros seres humanos o desejo de prolongamento ou renovação.
E não há como negar que essa sensação se dá em sua maioria pelo caos e a confusão exalada pela obra sobre o observador.

Portanto, para mim, confusão, caos e arte são a mesma força geradora.

 

Texto de Flaunízio Faria (http://fotolog.terra.com.br/mamulengo), mamulengueiro, ator e dramaturgo.

 

Mais trabalhos de Bispo do Rosário podem ser visualizados no site: http://www.proa.org/exhibicion/inconsciente/salas/id_bispo_1.html 



 Produzido por Wallace às 13h34 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 23 de Agosto de 2005

l antes de tudo l

 

Serei póstumo à palavra não-dita. Como a caneta busca o papel e sílabas completam espaços em branco / a voz dá cor à espera e frases preenchem olhos em pranto. Como a língua busca o beijo e o ósculo cala um soluço entravado dos olhos marejados pela saudade. Como o sorriso esconde a maldade que o tempo dilui. Como a agulha busca a veia / a raiva toma o lutador / de um cano a bala parte em disparada e o ponto-cego ofusca os olhos / que não olham nada. Como o clérigo se esquiva da dúvida e sustenta a fé de um séqüito de céticos / a mentira toma pra si o teor das trevas e a fé equaciona a dúvida, sentencia o temor / como uma centelha num rastro de pólvora. Como um piscar de pálpebras divide o olhar em frações / orações sempre buscam respostas. Como o jogador que na sorte aposta. Como toda confissão que preceda a sentença / ainda que tardia e mesmo que falhe. Como toda guerra, que sustenta o generalato. As guerras nunca acabam, são necessárias. As coisas nem sempre são o que aparentam. Há doentes esparramados pelos corredores da enfermaria e chacinas em plena luz do dia. Grandes paixões nunca perduram. E o melhor desejo é por aquilo que não se tem. Seca, a garganta pede água. Cego, o instinto orienta o corpo. Surda, a fé nos guia firme. Não há tragédia contemporânea depois do cristianismo. Ao perdão, tudo pode. Como os pronomes que antecedem predicados numa língua estranha / busco a semântica / esquecida, exaurida. Como um intermitente presságio / como a paz insustentável / busco o hiato entre as palavras e o silêncio entre as canções. Porque antes que o verbo o fosse / antes da própria palavra / havia, havia o silêncio. E o silêncio já o dizia.

 

l wallace puosso / ago 05 l



 Produzido por Wallace às 15h10 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 19 de Agosto de 2005

l páginas inéditas para alguém distante l

 

Estive batendo à porta / toquei-te com reverência / já salvo das tormentas & dessas noites em que tento manter-me calmo. Ao escrever-te novamente somente frases inéditas / intrépidas como pedido mudo / lembro-me de sorrisos belos / que não esforças para ter / surpreendendo-me um brilho no olhar / com graça inevitável & sensual / igual a qualquer momento contigo. Tudo em ti é sentimento: essa correnteza que nos guia / “Palavras não são só isso” / é tudo o que o coração não alcança. À espera de um / amanhecer em pleno fim de tarde / espero sempre estrelas para admirar / não para tocar. Às vezes me conjugo no infinitivo / como se quisesse ser imparcial / às vezes cortejo o precipício / o princípio é um deus distante / constante e inerente à vontade. Mesmo que eu soubesse as canções certas / para os melhores momentos contigo / ainda que eu tivesse o pleno domínio / das palavras de uso & efeito imediato / sem um contato, um toque intruso / nos contornos da alma / jamais sentiríamos vivos de verdade. Já tive asas & esbarrei na sorte / tenho um corte profundo n’alma: um olhar contemplativo sob os contornos da mente / quem sonha, consente & somente contigo / fui capaz de ser feliz / já fiz do teu jardim um pedaço do meu. Sempre fui revolto & absorto / logo vi: és estranha ao meu convívio / “vira teu rosto agora, olha como é belo o poente” / às vezes fico triste sem razão / “risca a areia com os pés, finge que não é contigo”. Enquanto isso, escancaro o sentimento & de braços abertos / corro para o mundo. Meu amor por ti é inédito a cada página que virares.

 

l wallace puosso / jul 05 l

 Produzido por Wallace às 13h45 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 11 de Agosto de 2005

foto: Sebastião Salgado 

l plano de vôo l

 

Queria falar dos caras que são exceção. Os que fogem à regra. Não por indisciplina, mas por absoluta falta de opção.

Queria falar dos caras que batalham espaços nas calçadas movimentadas da cidade-grande. Acotovelam-se todos os dias entre as bancas de trabalho informal. Mantêm-se invisíveis nas estatísticas oficiais.

Queria falar dos caras que venceram na vida por mérito próprio. Num país em que sucesso é sinônimo de inveja e não é visto com bons olhos. Afinal, em terra de cego quem tem olho...

Queria falar dos caras que vivem à margem. Não porque escolheram. Porque foram obrigados. O sistema só não é injusto com os políticos. Esses sempre se dão bem no final.

Queria falar dos caras que vivem na periferia. Que morrem por lá. Que não chegam a completar maioridade. Mas que também têm sonhos, nome, crença. E não passam de estatísticas policiais.

Queria falar de uns caras encarcerados, enjaulados em centros sócio-educativos espalhados pelo estado. O mesmo estado que aparelha polícias e esvazia escolas. Mundo estranho esse.

Queria falar dos caras que batalham arte num país com fome. Fome de arte, de cultura, de educação, de formação, de cidadania. Fome de fome.

Queria falar dos caras que acreditam. Que sofrem. Que resistem. A correnteza, muitas vezes vence a fadiga. Mas quem se organiza em grupos é sempre mais forte.

Queria falar de uns caras que fazem a diferença. Não porque são diferentes. Mas porque agem de maneira coerente contra a alienação, a burrice, a corrupção, a insurgência travestida de paletó-e-gravata, a mediocridade.

Queria falar dos caras que não são de esquerda, nem de direita, nem de centro-direita, nem de centro-esquerda. Porque tudo isso é uma grande besteira. Nossas crianças precisam estudar mais Sócrates, Platão, Aristóteles, Lutero, Marx, Hegel, Brecht, latim e cultivar menos superficialidades. Os discursos não mais se sustentam. E isso é proposital, num mundo onde nada é por acaso.

Queria falar dos caras que sempre têm algo a dizer. Que estão sempre prontos a ouvir. Que estão sempre dispostos a dialogar. Que não têm medo de recomeçar. Nem que seja do zero.

A vontade, a inquietação, o desconforto já são um começo.

Um outro mundo é possível. Um mundo idealizado por caras como esses. Que não têm medo de dizer o que pensam. Que não têm receio de mudar de opinião. Que não titubeiam em olhar as coisas sob um outro ângulo.

Bem, na verdade você não é obrigado a olhar para o lado e nem mudar seu ponto-de-vista.

Existe sempre a opção do controle remoto.

 

l wallace puosso / ago 05 l



 Produzido por Wallace às 20h52 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 03 de Agosto de 2005

l tribunal l

 

Não penso mais no futuro. O futuro é só um muro de onde não se vê o cume / uma janela no alto & no escuro. O futuro. Um piscar de olhos entre “olá” & “adeus”. E o lugar que era meu já não mais me pertence. Não olho mais seus olhos / turvos pela neblina. A retina. Será que existe um túnel / ao final desta reta? Apresso o passo / apresento minhas armas / em tempos de plebiscito / alma engatilhada / ânimo em punho & a coragem de dizer o que sinto. Dizem que o pavio é curto / mas o mundo pede bombas & medidas extremas ao invés de gestos de paz. Isso não se justifica. Por isso discursos vagos / respostas soltas / mas nem todos sabem ao certo / o que se deve perguntar. Olho para o lado & sozinho sigo. Não há perigo em declarações fora de hora / perigo é não botar pra fora / o mal que nos consome entranha adentro. Entrelinhas entrecortadas / notícias populares / medidas em primeira instância / textos & reticências / coisas que permeiam conversas informais. Somos desiguais num mundo mediano. Dialética & discursos aristotélicos / não preenchem o vazio das horas / assim como piratas portáteis / camuflados em mensagens instantâneas / já não se enganam com facilidade. O mundo muda muito. Assim como o sol nasce todas as manhãs / eu já não sei a diferença / entre a mesmice dos dias / os vestígios de alegria & nem com quantas verdades se faz uma sentença. Sentença? Sou oprimido num mundo desbotado / recalcado & conservante. Não há culpa se não houver intenção. Não é o que dizem? Também disseram que esse era o país do futuro. Olha no que deu. O futuro chegou.

 

l wallace puosso / ago 05 l



 Produzido por Wallace às 22h31 [] [envie esta produção]



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::INDICAÇÕES DE ROTA::

IDENTIFICAÇÃO: Ator e diretor de teatro, poeta e compositor. Libra com ascendente em capricórnio. 3º decanato. Lua em Libra.

TUDO COMEÇOU EM: Dois mil e quatro.

GOOD TRIP: viajar; sair com os amigos; namorar; ir ao cinema; um violão na beira da fogueira; um filme europeu em casa com os amigos; ver peças teatrais; ensaiar peças teatrais; ler um bom livro; sair pra fotografar

SONHOS: viver de arte; escrever livros, conhecer a Espanha, a Grécia.

BAD TRIP: política partidária; gente burra; gente mal-educada; todos os tipos de dogma.

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