SEM TÍTULO, de Hélio Oiticica - guache sobre carvão
l i t i n e r á r i o l
>> PARA ENTENDER O BRASIL
Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre;
Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Júnior;
Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda;
Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado;
Um Estadista do Império, de Joaquim Nabuco;
Formação da Literatura Brasileira, de Antônio Cândido;
Os Índios e a Civilização, de Darcy Ribeiro;
Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro;
Retrato do Brasil, de Paulo Prado;
Macunaíma, de Mário de Andrade;
Nelson Rodrigues, Tragédias Cariocas;
O Poema Sujo, de Ferreira Gullar;
O Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade;
Ópera do Malando, de Chico Buarque;
Os Sertões, de Euclides da Cunha;
Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri;
Produzido por Wallace às 11h10
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O Esplendor dos Contrários - Arthur Omar
# # ALGUMAS PALAVRAS # #
Por que gostamos de algumas palavras e implicamos com outras? A que memórias afetivas, a que associações insuspeitadas, se deve tamanha arbitrariedade?
Os poetas, então, têm aqui uma fonte de deleite perpétuo. Brincam com as palavras desde que a escrita começou, e provavelmente antes disso em jogos orais.
Guimarães Rosa deu-se ao luxo de compor derivações inusitadas, como o nome do vaqueiro Moimeichego em "Cara de Bronze", a que chegou, conforme explicou a seu tradutor e correspondente Edoardo Bizzarri, adicionando pronomes de primeira pessoa em várias línguas (Moi+me+ich+ego). Pronunciados segundo a prosódia brasileira, tornam-se irreconhecíveis. Joyce também se entregara a malabarismos do mesmo jaez, procedimento a que recorreu inúmeras vezes, como quando compôs o onomástico Mamalujo a partir da primeira sílaba dos quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João. Walnice Nogueira Galvão
1. CONGO
A palavra Congo, para mim, é um conceito, não um país. Um conceito secreto, só meu, que eu uso para facilitar o processo de pensamento. O local mais confuso da África de hoje me dispara, com seu nome, um cadeia de associações mentais poderosas e, às vezes, até minha postura corporal muda. O Congo das coisas. Arthur Omar
2. SILÊNCIO
Nunca convivi bem com a noção silêncio, quando John Cage veio nos dizer que o silêncio não existe, e tudo seria som. Cage queria trazer o som para dentro do silêncio. Todos os intervalos, inclusive os musicais, estariam preenchidos por sons, vindos de todos os cantos da nossa atenção.
Ouvido de uma maneira correta, tudo seria música, inclusive o silêncio. O silêncio não existe, pois quando a música pára, o som do mundo continua. Arthur Omar
3. ALELUIA
Já uma das palavras mais lindas que existem é aleluia. Convida ao devaneio, sugerindo conexões milenares que não têm a menor base mas muito alegram. A palavra é bíblica, do Velho Testamento, e quer dizer “louvar com júbilo” (subentendido, a Iavé, cujo nome é impronunciável). Devido a essa origem, existe em muitas línguas, sem alterações. Para mim, deve ser onomatopaica. Walnice Nogueira Galvão
4. SEBO
Gosto do modo silencioso e discreto dos freqüentadores de sebo. Odeio a algazarra das superlivrarias modernas. Aliás, o silêncio dos sebos encontra um eco (?) notável no silêncio meio pardo que o tempo impôs às discretíssimas capas dos livros antigos. São livros que não gritam, que não se anunciam, ao contrário, quase se escondem sob poeira, manchas e encadernações anonimizantes, invocando o leitor-investigador.
Já nas superlivrarias, graças a um moderníssimo design, aliado às leis do mercado, segundo as quais a capa de seu livro deve berrar mais do que a capa do livro ao lado para ser notada na competição das vitrines e balcões, o que se vê é um reluzente e insuportável efeito de capas espelhadas, capas que brilham, capas luminescentes, que para qualquer córnea mais sensível tem o poder de adagas. Carlito Azevedo
5. INEVITÁVEL
Milhões de pessoas, nas mais diferentes línguas, a repetem todos os dias. Nas duas últimas décadas a palavra se tornou um tipo bizarro de artifício para encerrar toda forma de debate.
Frente ao inevitável, as coisas são o que são, Tudo é o que deveria ser. Marcelo Resende
Produzido por Wallace às 10h11
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RESPIRANDO NA ANTE-SALA DO MATADOURO
Moscou, 1897. São Paulo, 2005. Outono-Primavera.
Cena: um bar com mesas na calçada. Na mesa, cervejas. Nada de vodca.
Cinco pessoas conversam sobre poética. Poética da cena, no teatro, na literatura. Poética da aventura russa rumo à utopia marxista.
Cinco pessoas refletem. Sobre fatos presentes. Conversas que se iniciaram a mais de um século.
Moscou é uma cidade fria em boa parte do ano. São José dos Campos é fria o ano todo. Por isso as pessoas bebem. E trabalham muito. E não tem tempo para freqüentar teatros.
Nossa aventura não tem Mecenas. Mas tem trincheiras. E são várias. Stanislavski, Tchekhov, Olga Knipper, Meyerhold e Gorki.
Cinco pessoas. Conversam sobre circunstancias. Nada é por acaso. Na mesa, em meio aos copos, cartas. Amareladas não pelo tempo, mas pelo descaso.
Nossos czares-coronéis enterram planos de um futuro melhor. Que futuro? No Brasil não há revolução armada. Na Rússia não há homens cordiais, comuns aos trópicos. Trôpegos, traçamos uma linha imaginária com mais de cem anos e respiramos na ante-sala do matadouro.
Enquanto restar forças, gritaremos a todo pulmão. Nossas cartas não têm truques. Nem travas na língua.
Cinco jogadores em torno de uma idéia.
Na virada do século 20, um grupo de artistas conhecidos como 'O Mundo da Arte', se dedicou à retomada da qualidade artística sob a bandeira da 'arte pela arte'. Criaram pinturas de excelente qualidade e fizeram sentir sua influência em todos os ramos da arte, embora talvez de maneira mais expressiva no palco.
[wallace puosso, outubro de 2005]
Produzido por Wallace às 18h19
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HÁ TEMPOS
Meus queridos, sei que ando em falta. O tempo real (escasso) me obriga a visitar a internet cada vez com menos frequência... engraçado esse mundo...
Há tempos não se escrevem cartas, agora só scraps.
Há tempos não se conversa sobre coisas variadas. Os assuntos restringem-se. Ficam cada vez mais localizados neste mundo globalizado.
Há tempos (muitos) não se olham. Agora, relações virtuais. Mais seguras, muito mais seguras em tempos pós- AIDS.
Tenho refletido sobre as relações contemporâneas. Amor, amizade, trabalho. Porque tenho a sensação de que temos cada vez menos tempo para o ócio? (Obs. Lembrar de ler Domenico de Masi).
Desta forma, tentarei desplugar mais as coisas. Uma vida acústica ainda é uma boa saída.
Há tempos o encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos... (Alguns poetas deveriam ser eternos).
Por isso, sorria, meu bem. Mesmo aí distante eu sei que você olha por mim... Meus poemas continuam tendo você como musa. Minhas horas de folga são suas. E o mundo a gente constrói aos poucos (mesmo que seja nos finais de semana!)
Meu blog passará por mudanças (como a vida também o pede, de tempos em tempos).
Aguardem mais um pouco. Tudo muda. Tudo sempre mudará. Beijos a todos.
[wallace puosso, outubro de 2005]
Produzido por Wallace às 00h58
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