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| Sábado , 28 de Janeiro de 2006 |
DIALÉTICA
A CASA DO SOL não mais aparece por entre as montanhas.
A casa do sol é feita de. Sol. Só. O corpo anestesiado estendido no sofá da sala, já não sente dor. Nem alegria. Nem prazer, talvez. Cada uma das sensações tem entre si uma relação dialética, possível, palpável. O coração não mais dispara fácil, tátil. O coração não cabe na cabeça e vice-versa como num poema de Haroldo de Campos. Os olhos ainda se acostumam com a falta de luz. Ou a proximidade de algo. Quanto mais próximo do olhar, tanto mais difícil de se ver. Se ouvir. Se perceber.
A verdade nem sempre vem à tona: prenda o ar, nós vamos subir.
Subindo o tom, uma oitava acima, o suave furor do silêncio se faz notar. Suba o tom quando lhe dirigirem o silêncio opressor das palavras não ditas, ou proferidas pela metade, o silêncio repressor das costas voltadas, em desdém.
A casa do sol está para o céu como o céu está para o mar numa noite de lua. Um céu em auto-relevo. A casa do sol, oculta pelas sombras e pelo frio do final de tarde já não oculta os versos que tanto anseia. O que um dia foi poesia hoje é respeito. E deferência.
Quantas Hildas, Cecílias, Lígias, Coralinas serão preciso para aplacar nossa inquietude?
Somos passageiros de uma composição férrea que risca o pó e a precisão das montanhas mais verdes, com cumes mais altos, ar mais rarefeito. Estamos sempre à cata da paisagem perfeita, da composição harmoniosa, da pintura equilibrada, do espetáculo apolíneo, da poesia arrebatadora.
Solilóquio: metade de mim contempla a solidão como uma queda necessária, que autocompleta o que falta, a outra metade admira sozinha a possibilidade da felicidade que se avizinha, como se fosse um desvio de rota à distancia segura dos olhos.
Caminharemos pelas noites com passos confortáveis de pelúcia (como a dez centímetros do solo numa fuga alucinada rumo a uma jornada interior). Palavra é o que eu não sei.
A casa do sol parece atravessar os tempos imemoriais, parece nos observar onipotente, onipresente. Parece ser. O que é.
Contemplo a sordidez dos que plantam tempestades com tapas nas costas e palavras de alento. Ouço atento o que os olhos tem pra dizer.
Todo conhecimento traz dor e toda dor vem do medo de sentir dor. Quando a dor for inevitável, experimente a dialética. Ela sempre funciona. E não tem contra-indicação.
|wallace puosso, reeditando|
DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO - Hilda Hilst
"Se te pareço nocturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água Desejasse Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há tanto tempo Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta Olha-me de novo. Com menos altivez. E mais atento. "
[Dez Chamamentos ao Amigo - Hilda Hilst -(Poesia: 1959-1979 )]
Produzido por Wallace às 13h18
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| Quarta-feira , 25 de Janeiro de 2006 |

ensaio de valsa
AMÉLIE GOSTA DO GOSTO QUE AS COISAS TÊM. Das sensações que o tato e o olfato proporcionam. Bolhas de plástico estouradas uma a uma, ondas concêntricas no lago a partir de uma pedra jogada, a delícia de enfiar a mão num grande saco de lentilhas. Ou de feijão. Fica horas sentada no telhado observando a cidade, enche a mão com bolinhas de gude esfregando-as umas nas outras. Amélie fecha os olhos e ouve os ruídos do mundo. Um piado entre o som dos escapamentos, a cigarra ao longe e outros sons que não distingue. Gosta da sensação do grafite num bom papel e imagina-se personagem de um filme da Nouvelle Vague. Escreve poemas porque se sente sozinha. E quando está sozinha é de uma tristeza sem fim. Mas só chora porque tem vontade. E dá risada sozinha. E quando sorri, ilumina o mundo, contagia tudo à sua volta. E fica com uma vontade danada de construir luminárias. Amélie gosta do som das palavras. De algumas palavras com sentidos diversos. Ela tem um gravador de sentimentos. E uma coleção de fitas K-7 intitulada “O melhor de...” Amélie gosta do valor que as coisas têm. Porque, alguns valores, são artigo raro hoje em dia. Por isso, ela se faz especial. Como ninguém mais.
|wallace puosso / jan 06|
Produzido por Wallace às 00h52
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| Segunda-feira , 23 de Janeiro de 2006 |

extinção
Meu canto sofrido estende-se como o instante preciso, único, atípico, cíclico pulso de vertente imaginária & notadamente volátil.
Flecha com alvo certo, por vezes perto demais do meu salvo-conduto, cidadão que sou, do submundo criativo. Poesia pra que, se o coloquial é a essência legal de um povo que pouco lê?
Temos, sistematizada, a cultura dos opostos. É constrangedor enriquecer, é perturbador emagrecer, corrupção deixou de ser verbete para virar pauta, artista é tudo vagabundo, memória é um livro empoeirado na estante da sala, ser honesto soa ridículo e o politicamente correto é levar vantagem em tudo. “A mídia é nosso Aiatolá”, alguém já disse.
Essa é nossa cultura pop.
Não temos a hipocrisia e a paranóia dos americanos – por exemplo, mas inocentemente somos condizentes com nossa própria falta de rumo, prumo e objetividade.
Tenho asco a tudo que é pop, essa matéria descartável, pasteurizada, de teor imediatista que a mídia insiste em nos empurrar garganta abaixo.
Impressiona-me bem mais a não-aderência ao consumismo do óbvio.
Ser óbvio é estar dentro de todas as métricas sócio-políticas, todas as etiquetas da estação & cultivar denominações pré-estabelecidas.
Talvez esteja-nos faltando a visita inconveniente e bem-vinda de um bêbado nesta grande ceia de damas e cavalheiros e bons modos em que se transformou nossa sociedade burguesa.
SÓ O ORIGINAL SALVA.
|wallace puosso / jan 06|
Produzido por Wallace às 16h59
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| Sábado , 21 de Janeiro de 2006 |

um outro diálogo
VIVEMOS À CATA DO PRÓPRIO RABO. O que vale não é só a vontade de ser diferente, imprimir uma marca em tudo que se faz. Vale tentar ser humano. Ou chegar o mais próximo disso, o que já seria plausível. Nada é fácil. E ninguém afirmou que o seria. É preciso se valer do insano sem ser radical, nem tentar fazer força para parecer normal.
Ser diferente é ser autêntico, não se encher de enfeite. É olhar para frente & antever o novo com calma & distinção.
Podemos, portanto, fazer das grandes festas, nosso motivo para transgredir as vontades do corpo & da alma. Macieiras & videiras dão frutos para deleite de grandes encontros. São as festas báquicas, muitas vezes a dois, outras a três, e até a vários, o que também é muito bom, dependendo do prisma pelo qual se olhe.
O novo Dionísio vem do reggae, do samba (quando é carnaval), dos trópicos, fala bom portunhol & neste atol de incertezas que tornou nossa enorme nação num trem em alta velocidade & desgovernado, o xamã que redime nossa culpa de colonizadores de africanos, por ironia vem do candomblé & por falar em raízes, nossos índios têm servido apenas para negociar madeiras nobres a preço de banana, morrer à míngua em conflitos banais & sem sentido, lutar contra o nada & o nada tem sempre nome de branco, essa nação sem pátria certa, sem uma cara, uma língua. E ainda os ensinamos a reverenciar nossos deuses do futebol & da televisão.
Não há cultura mais farsesca do que a imbecilidade geral, irrestrita & capitalista de querer transformar tudo em cifra, padrão, plástico, ISO para um monte de coisas & a tal história de pagar juros, essa matéria invisível & altamente destrutiva o que não leva a nada a não ser a barrancota pessoal. A dois séculos atrás, nosso sentido de independência era a relação colonizador-colono. Hoje, conquistar a independência é arrumar dinheiro para pagar as contas no fim do mês, arrumar emprego, ganhar o suficiente para sobreviver.
Esse capitalismo disfarçado de neoliberal terminará por sepultar nossas origens, nossas tradições, nossos melhores valores & a globalização para a qual encaminha-se cada vez mais a passos largos, fará mais fácil & imperceptível o processo de imbecilização das massas.
Os pensadores, filósofos, estudiosos da escrita e do comportamento, parecem cada vez mais relegados a um passado romântico. Vivemos a era digital da informação ultra-rápida e imediatista. Bobagem pensar que informação traduz-se em conhecimento. A internet é nosso novo Aiatolá.
Virão daí nossos novos pensadores & filósofos? Sairá daí a grande revolução deste século? Sem chance. RETOMEMOS NOSSO VOCABULÁRIO PERDIDO.
|wallace puosso, reeditando|
NÃO DEIXE DE LER: http://escrevinhadores.blogspot.com/ ONDE PUBLICO OUTRAS CRÔNICAS. PRESTIGIE A CULTURA.
Produzido por Wallace às 11h45
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| Sexta-feira , 20 de Janeiro de 2006 |
Lucy in the Sky...
Gabriel Villela Especial para o Estado
Uma criança em Carmo do Rio Claro, apenas um dos infinitos rincões de Minas.
O que estava no centro das atenções do mundo demorava muito pra chegar, no final da década de 60. Em princípio, eu estava muito distante de Liverpool, apenas um dos rincões da Grã-Bretanha. Porém, apesar de tamanho 'delay', foi definitivo o chegar das imagens de Lucy in the Sky with Diamonds: árvores de tangerina, céus de marmelada, uma garota com olhos de caleidoscópio, flores de celofane, táxis de jornal, um trem, uma estação com carregadores de plástico e gravatas de vidro; o fantástico expandiu meus sentidos, rompeu meu entendimento para fronteiras onde o teatro de Shakespeare ainda não o havia feito.
Apesar de talvez o único ponto em comum ser que nos encontrássemos geograficamente periféricos aos acontecimentos, posso estabelecer infinitos laços que liguem meu pensamento e inspiração aos Beatles, em especial a John Lennon.
O espírito revolucionário, inconformista, contestador e ao mesmo tempo despojado, irreverente e esperançoso de Lennon é, sem dúvida, um tsunami que deixa sempre instável o centro de gravidade das minhas criações. John incomoda, espeta, grita; ao mesmo tempo cria paisagens musicais intensas, por vezes surreais, poéticas, de forma extremamente original.
Progressivamente, John passou a compor a partir de suas verdades e buscando traduzir imagens do inconsciente, não mais projetando situações. Sua música rompia cada vez mais intensamente com o apolíneo em função da mensagem.
Em O Nascimento da Tragédia, Nietzsche estabelece a distinção entre o espírito apolíneo e o dionisíaco; da incessante luta entre Apolo (deus da forma, beleza, ordem e lucidez) e Dionísio (deus da desmesura, da embriaguez), surge a arte. Numa decupagem um tanto simplista, o apolíneo da criação dos Beatles concentrava-se em Paul McCartney e o dionisíaco, em John Lennon.
Na verdade, bem como a interação entre Apolo e Dionísio é simultânea, isto também se dá na música de Lennon: Because, Across the Universe, Strawberry Fields, Imagine, Woman são apenas alguns exemplos de um lirismo transcendente.
"Viver é fácil com os olhos fechados 'incompreendendo' (entendendo mal) tudo o que se vê está ficando difícil ser alguém mas tudo se resolve não me importa muito."(Strawberry Fields Forever ).
O mineiro Gabriel Villela é um dos diretores teatrais mais premiados do País. Neste ano, apresentou dois espetáculos no exterior: Fausto Zero na Rússia e Re-Apareceu a Margarida em Portugal
http://txt.estado.com.br/editorias/2005/12/08/cad005.html
NÃO DEIXE DE LER: http://escrevinhadores.blogspot.com/ ONDE PUBLICO OUTRAS CRÔNICAS. PRESTIGIE A CULTURA.
Produzido por Wallace às 07h08
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| Segunda-feira , 16 de Janeiro de 2006 |

banda The Mass Machine / show em SJCampos/2005*
um diálogo na alma
PARTAMOS EM BUSCA DO VOCABULÁRIO PERDIDO de uma antiga nação para a qual a alma possa recorrer & antever um caminho, um lugar de grande burburinho & agitação cultural.
Divagar com razão & sobriedade sobre a moral alheia, reaver um outono em cada estação. É preciso pois, reavaliar cada conceito, levantar suspeitas sobre cada absoluta certeza. Analisar profundamente nossos ícones, signos & mitos.
E os mitos dos mitos.
O rock’n roll é o grande tema da geração imediatamente anterior à minha & também me fica a nítida impressão de que jamais pertenci à outra época que não fosse a dos turbulentos anos setenta. Apesar do ranço de ditadura que sobrou.
Fellini é épico por si só. Dispensa teorias & explicações óbvias. Um dos momentos mais acertados & felizes da história do cinema. Um homem que levava seus sonhos a sério.
Rimbaud precisa ser redescoberto, como fizeram os beats há quarenta anos ou mais.
A arte anda em crise. Crise de idéias. Parece não haver mais nada de novo que nos arranque um genuíno espanto. Algo que nos faça sair da letargia.
Vivemos o vazio da criação. A palavra ficou em segundo plano num mundo cada vez mais visual & poluído visualmente.
O teatro amador, no sentido descompromissado da palavra, caminha & sempre o fará em direção que Artaud fazia da verdadeira anarquia: sua única & atípica poderosa força de manifestação. É o mito profano de encontro às mais íntimas necessidades de ser humano. Em muitos casos, contém ainda a "alma" e a alquimia que o teatro profissional perdeu, ao se engessar de técnicas e contratos televisivos.
Nada mais nos une a não ser a vontade de crescer, subir mais alto, lutar por igualdade, a estrada como extensão da vontade de ser livre, no sentimento & na mente o roteiro sempre inacabado de um road-movie com seus fotogramas interpostos & saídos de um livro de memórias do que nem sequer chegou a acontecer.
lwallace puosso, reeditandol
para ouvir o single da banda The Mass Machine, clique: http://www.tramavirtual.com.br/the_mess_machine
THE MASS MACHINE - A BANDA
Em julho de 2004, Yuri Moraes (ex-Lifestream) chama Felipe Martins (ex-lifestream) e Ivan Roman (ex-blemish) para fazerem um novo projeto. Em agosto de 2004, Ivan convida Marcos Silva (ex-love loud) para assumir as baquetas e Rodrigo Roman para tocar groove box. As primeiras sessões começaram ainda nesse mês quando a banda foi criando sua identidade trazendo a bagagem das suas bandas anteriores mas sem soar como nenhuma delas.
The Mess machine (ex-Vellocet Demented) é exatamente a união dos cinco integrantes, já que todas musicas foram feitas no estúdio em conjunto. Felipe assume os vocais da banda (mais tarde assumindo uma segunda guitarra também), Yuri assume a responsa do baixo deixando as baquetas para Marcos Silva, que massacra a bateria com elas. Ivan arrebenta 2 ou 3 cordas da guitarra por ensaio (nota que ele usa cordas 0.11) e Rodrigo viaja nas esquisitices do seu groovebox.
Algumas das influências da banda são Mars Volta, Sonic Youth, Fugazi, At The Drive-in, Helmet e Nirvana.
Ivan Roman - Guitarra Marcos Silva - Bateria Yuri Moraes - Baixo Felipe Martins - Guitarra/Voz Rodrigo Roman - Teclado/Percussão
Produzido por Wallace às 17h39
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| Quinta-feira , 12 de Janeiro de 2006 |

as coisas simples da vida
As pessoas nem sempre são o que pensamos. Você fechou os olhos. E imaginou. Um mundo de coisas simples. Amar o outro. Olhar-se por dentro. Amar-se. Olhar o outro. Compartilhar. Seus olhos sempre completam espaços em branco. Assim como as verdades, só enxergamos as coisas pela frente. Pela metade. De olhos fechados você fotografa o mundo que os outros não vêem. E sorri com seu belo sorriso. As pessoas podem até não ser o que esperamos. Mas sempre podemos tornar as coisas mais simples do que aparentam. Encurtar caminhos. Dividir ao invés de somar. Iluminar cantos escuros. Uma mão toca outra. Um abraço, um poema feito de olhos fechados. Um reencontro a muito esperado. Menos é mais.
|wallace puosso / jan 06|
Título Original: Yi Yi Gênero: Drama Tempo de Duração: 173 minutos Ano de Lançamento (Japão/Formosa): 2000. Distribuição: WinStar Cinema / Filmes do Estação Direção e Roteiro: Edward Yang
Produzido por Wallace às 16h05
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| Segunda-feira , 09 de Janeiro de 2006 |

Peter Brook Sutil Companhia
canção oblíqua para deleite de jackie salutar
DE UMA HORA PARA OUTRA, descobri extasiado que as orquídeas são altamente eróticas & brutalmente rodrigueanas mas alguém já insinuou, sussurrando na coxia entre um ato & outro, que degustar flores nunca foi muito aconselhável, principalmente as com menos de dezoito, o que não se aplica a esse caso, é claro. Certa noite, num pequeno vilarejo ao pé da serra, enquanto ânimos exaltavam-se & espíritos entorpecidos dichavavam oferendas a um deus pagão, entupi-me de vinho barato & recitei meio trôpego à beira da piscina esverdeada, um poema de bete-qualquer-coisa, uma figura metida a janis voltando de woodstock à pé & eu lá declamando entusiasmado minha fé quase cega de tão lúcida & embalado pelo velho & bom rock’n roll de uma guitarra attômica, quando você definitivamente estourou meu limite de criatividade & eu lhe mandei caçar coquinhos no boteco da esquina, você & toda sua companhia de teatro governamental. Enquanto as pedras rolam pelo pequeno reino industrial-cultural eis que surgem esboços mambembes que precisam ser lapidados & integrados ao meio. Você que nunca se integrou em nada, em vez de contar estrelas, uma a uma, voltou com um par de lagartixas de pepsi que eu simplesmente odiei, mas para não lhe contrariar, joguei as duas pela janela, fiz um brinde com o vidro estilhaçado achando tudo muito engraçado & fui detido no dia seguinte por tentativa de agressão à camada de ozônio. Pode?
l wallace puosso, do livro "Estrangeiro" a ser lançado em breve l
Produzido por Wallace às 10h53
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| Sexta-feira , 06 de Janeiro de 2006 |

[clarice volta pra casa]
O tempo não pára. O corpo carrega marcas do que fomos. E histórias vividas são como vincos na alma. Clarice sabe que só se conta o que se viveu. O resto é imaginação. Contando histórias nos tornamos eternos.
Seus olhos perscrutam coisas. Ocultas antes por velhas certezas. Prefere plantar jardins a esperar que alguém lhe traga flores.
O tempo nem sempre cura. Feridas passadas. Ecos de palavras não ditas. O tempo apenas alivia a dor. Clarice tem agora o coração repleto e repousa, findo o temporal.
Na sua introspecção habitual, ela sabe o quanto custa ser feliz. Um cheque em branco sem garantias. Um passaporte com visto para o desconhecido. Clarice corteja o abismo, mas caminha mais calma. Um passo por vez.
Os cômodos da casa ainda são os mesmos, mas com outras cores, novas texturas, cheiros diversos.
É bom estar de volta.
[WALLACE PUOSSO / 06 de janeiro de 2006]
Produzido por Wallace às 19h31
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[ Literatura Anterior ]
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