
o hiato entre as palavras
A flor q o asfalto sufoca (a terra) q o concreto oculta (o sorriso)
q o tempo DESbota (o ar) pelo qual se luta no cinza dos dias/
A estrela q o pó esconde (a lua) q o prédio IMpede (a voz)
q a força IMposta coage (o cansaço)
ao qual o corpo cede no auge da pressa/
(descontinuando, eu, primavera/01)
Como a caneta busca papel e palavras completam espaços em branco, como a voz dá cor à espera, discursos comovem e arrancam aplausos. Como a língua busca o beijo e o beijo cala a palavra vã, o sacerdote se esquiva da dúvida para sustentar a fé de um séqüito de céticos ávidos pelo paraíso virtual.
Todo fanático sabe.
Impor: pelo medo, pelo credo, pelo beijo, pelo desejo, pelo certo e pelo errado.
Como a guerra sustenta o generalato, a galopada corta o vento enraizado rumo ao leste.
Como um sorriso que esconda em si a maldade que o tempo usurpou, como a agulha busca a veia, a raiva toma o lutador. De um cano a bala parte e o ponto cego ofusca olhos que não olham nada.
Visões desfocadas pelo belo e o medo do incerto.
Como a mentira toma pra si o teor das trevas e toda confissão precede a sentença ainda que tardia e mesmo que falhe. A dúvida precede a confiança, que é o que deve ficar depois de tudo.
Depois de tudo.
Intermitentes presságios a martelar a consciência, orações que buscam respostas, respostas sem perguntas, o jogador que na sorte aposta, o amor daquilo que não se gosta, o silêncio entre as canções, busco o hiato entra as palavras.
l wallace puosso / ago 06 l
conto originalmente escrito para o blog http://www.escrevinhadores.blogspot.com/ com o qual colaboro.
Produzido por Wallace às 15h31
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