
l panis et circenses l
HOJE É DIA de final de Copa do Mundo. Os amigos da comunidade M... já compraram as entradas com pelo menos seis meses de antecedência. Debitado na conta virtual de crédito e financiamento do Banco John’s Paul Morgan.
Os caras da comunidade M... são de vários países. Dois mexicanos, um americano, uma francesa, um australiano, três ingleses e um marroquino. Comunicam-se em dialeto msênico e transitam por todo mundo em viagens turísticas virtuais.
A Copa do Mundo ainda é o maior evento do planeta. Transmitido para mais de 170 países e disponível também para público virtual, já há pelo menos 20 anos. Funciona assim: você entra em contato com os organizadores do evento (em vídeo-conferência se for um grupo de pessoas) e escolhe num mapa, qual lugar quer se sentar no estádio. Os valores variam de acordo com a visibilidade pretendida. Escolhido o local, você recebe uma senha e, dependendo do tipo de plano escolhido, tem acesso a câmeras exclusivas: no vestiário, ao lado do banco de reservas, na beira do túnel por onde os jogadores entram em campo e por aí vai. Uma gama enorme de possibilidades.
Os amigos resolveram adquirir também, entradas exclusivas para a grande festa de encerramento, que costuma lotar casas noturnas após o término do jogo. São vendidas como parte do pacote e dá o direito à pista de dança, bar, lounge, jardins suspensos e camarotes vips.
Hoje então, os amigos da comunidade M... se conectam pelo menos umas 3 horas antes do início do jogo. As cadeiras são todas próximas. Para os australianos, ainda é madrugada, mas isso não parece ser problema. Há muito tempo, o mundo deixou de ser orientado por regras de horário comercial, bancário e de bolsas de valores. Os horários são flexíveis, assim como as relações trabalhistas, sociais e financeiras. Aliás, os amigos só mantêm suas nacionalidades por uma questão de respeito às culturas locais. Há pelo menos três décadas, os países deixaram de ter fronteiras físicas e passaram a se organizar em grandes blocos. Pra ser exato, quatro.
Ah... as cervejas ainda são reais. Pedidas pelo monitor global (uma espécie de TV em rede mundial) são entregues em casa em menos de 10 minutos. E são pagas em créditos virtuais.
Bem, quanto ao jogo, ninguém sabe ao certo se é real ou não. Mas também ninguém parece se importar.
A DIVERSÃO ESTÁ GARANTIDA.
l wallace puosso / abr 2057l
texto excrito especialmente para o blog http://www.escrevinhadores.blogspot.com/ com o qual colaboro desde final de 2005.
Produzido por Wallace às 18h26
[]
[envie esta produção]
|

EXERCÍCIOS PARA UM FUTURO PRÓXIMO
Sou teatro. Diálogo, tablado, rotunda, drama. Não sei ser comédia. Ainda. Sou Antunes, Peter Brook, Meyerhold, Eugênio Barba, Shakespeare. Sou silêncio e respeito aos mestres. O segredo está na respiração e na capacidade de se concentrar.
Sou ONG, voluntariado, entusiasmo. Tenho ideologia e me recuso a vender meus sonhos. Quero mudar as coisas. E elas insistem em continuar no mesmo lugar. O segredo neste caso está na paciência e na persistência.
Sou vinho, queijo, pão italiano, chocolate suíço, azeite, alcaparra. Sou cozinha e culinária. Conversa à beira do fogão. E pão na chapa com pingado no balcão da padaria.
Sou jazz, cinema de arte, catálogo de galeria de arte, Van Gogh, Rembrandt. Sou Garcia Lorca, Saramago, Oswald de Andrade, Drummond e Quintana. Sou Pablo Neruda. E quero viver uma vida de Picasso. Felicidade não é viver muito. É viver bem.
Sou rock, blues. Tudo no volume máximo. Como a vida. Sou Bob Dylan, Morrisey, Nirvana, Joy Division, Mutantes, REM, Smiths, Lenine, Legião. Sou poesia com música. E alfaia e violão. E música eletrônica.
Sou existencialismo. Contra certas coisas, não se deve lutar. Sou poesia e crônica. Já publiquei um livro, plantei várias árvores. E é melhor parar por aqui.
Sou fotografia. Em preto e branco. Luz natural. Sou Sebastião Salgado, Cartier Bresson, Bob Wolfesson. O segredo está no olhar, não no equipamento.
Sou cinema urgente, latente, que incomoda e faz pensar. Sou Almodóvar, Nelson Pereira dos Santos, Kubrick, Glauber. Algumas coisas são definitivas.
Sou Chico Buarque. Sou todas as trilhas de Chico para teatro. Inclusive Cambaio. Sou Tom Jobim, Vinícius de Morais, Chico Science, Renato Russo, Gonzaguinha, Raul, Cássia Eller e Cazuza. Os bons morrem antes.
Sou Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Antonio Nóbrega, Euclides da Cunha, João Cabral, Suassuna. Sou a curiosidade por um Brasil pouco conhecido. Sou a indignação por uma cultura pouco respeitada. Sou Bossa Nova, Tropicália e Mangue Beat. Sou dúvida e antagonismo.
Sou Celebreiro. Quem quiser, que entenda.
l wallace puosso / abr 05 l
Produzido por Wallace às 18h35
[]
[envie esta produção]
|

diário de bordo – teatralizando
QUI ABR 05, 2007
ANDO MEIO SEM TEMPO. Muitas coisas acontecendo simultaneamente. O teatro tem dessas coisas: ou a gente mergulha ou tudo fica superficial (literalmente).
O YULUNGA está em processo de ajustes, deve voltar em meados de maio. Ainda temos dificuldades para encontrar espaço que comporte toda a parafernália que as cenas requerem + os 23 atores e técnicos. É muita coisa.
Estamos finalizando TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, do Nelson e tem sido um processo complexo. Processo de teatro sem atores em crise vira recreação para turistas em hotéis de luxo. Logo...
Na próxima semana, inicio minha pesquisa sobre o tema ESTRANGEIRO. E isso é coisa séria. Estou tentando compreender a aplicação da semiótica voltada para a cena, estudando a narrativa do ponto de vista das HQ’s, por meio do mestre Will Eisner, assistindo filmes sobre a questão palestina e seus desdobramentos. Ah... alguns textos sobre esse tema, já foram publicados aqui. Dá pra se ter uma idéia. Quero enxergar o mundo sob a ótica do fundo de uma garrafa. Você já experimentou?
Meyerhold dizia que o EXPRESSIONISMO pode ser exemplificado dessa forma. Estou cada vez mais convencido que o mundo anda muito Expressionista. Já reparou como as coisas vivem distorcidas?
ESTOU INDO DE ENCONTRO AO CAOS.
Wallace Puosso
Produzido por Wallace às 11h09
[]
[envie esta produção]
|