Meu caro,
Agradeço sua determinação em me ajudar com a semiótica dos contos de Marina Colasanti, somados à estética de Dogville e ao caso do coreano que matou 32 nos States há poucos meses. Essa é a loucura lisérgica que tem me guiado nas escavações arqueológicas de ESTRANGEIRO, meu novo rebento teatral.
Suas palavras deram luz, gás, sangue pulsando em corpo cansado. Por coincidência, acabei de assistir HYPE, um documentário sobre as bandas de Seattle, antes do grunge virar moda de passarela. Quem me emprestou o vídeo foi um amigo músico, Rodrigo, parceiro de criação atual. Fiquei alucinado. De certo modo, também fui testemunha ocular do fenômeno Nirvana, quando fui "apresentado" ao som de Nevermind pelo Giba, no início de 1992. Bolacha recém saída do forno, top #1 na parada americana, desbancando Dangerous. O mesmo Giba que, anos depois se tornaria estrangeiro numa terra hostil. Assim como você que se foi um dia. E eu virei o estrangeiro, transitando por novas pessoas, outras idéias, uma outra língua. Como se vê, as coisas são circulares. A gente hoje se fala via Orkut, o Giba está com dois filhos, morando em São Paulo, você com a vida encaminhada e as meninas crescendo e eu aprendendo mais sobre a vida com um grupo de garotos de 16, 18 anos. A vida é assim. Cheia de coincidências. Umas felizes, outras trágicas. Estou chegando aos 40. Kurt Cobain viveu vinte e poucos anos.
Acho que devo me considerar um cara de sorte.
Abraço e tomarei um bom vinho por nós dois!
Wallace, maio de 2007
Produzido por Wallace às 12h55
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l emergir l
COMO RELÓGIOS de quartzo / andamos, andamos pelo tempo / em busca de uma grande e pesada porta / onde estejam confinadas a felicidade, a eternidade / noção torpe do que seja liberdade / eternidade é quando você me pisca / e liberdade é só um conceito / só existe sentido por trás do rosto / um sentido de gosto, teu gosto / o que você está pensando? O que se vê pela fresta da porta / a iluminação é tênue, para quem vê além / como a floresta que luta pelo calor do sol / colocamos a cabeça fora d’água / e respiramos, respiramos MAIS ALIVIADOS
l wallace puosso / mai 07 l
Produzido por Wallace às 18h53
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| de olhos bem abertos |
“as coisas
são o único sentido oculto
das coisas”
Alberto Caeiro
Você não vê / que guerras nunca acabam? Que as coisas não são o que aparentam? Você não vê / que qualquer esforço torna-se inútil / e que não levamos a sério os sinais mais elementares? Há doentes na enfermaria / e chacinas em plena luz do dia. Você não vê / não sente nem vê: falta amor até nas pequenas ações. Você não vê que grandes paixões mal sobrevivem / à rotina dos primeiros anos? Somos o que podemos / não o que queremos. Você não vê / que o mais incontido desejo / é sempre por aquilo / que nunca teremos? Não há tragédias contemporâneas / no sentido grego que a palavra encerra / a pior omissão é olhar e não ver. Há problemas de sobra / e o teatro nesse cenário / completa lacunas / revê valores necessários / nos faz mais seletivos, críticos, únicos. Quais são os seus objetivos? Quais os pronomes que antecedem seus predicados? As pessoas mais importantes / sempre estão onde menos se espera. Você já parou pra pensar nisso? Espero que você não feche os olhos / quando os melhores momentos chegarem.
| wallace puosso, mai/07 |
Produzido por Wallace às 15h33
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