WALLACE PUOSSO

Segunda-feira , 29 de Outubro de 2007

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| Ãhn |

 

Ando um pouco perdida

acho/ onde?

na minha frente:

Mini Aurélio/ Psicodrama/ Milton e Elis

 

Quente, esse calor me mata

me faz parar de pensar

curvas me deixam tontas

problemas me sufocam

 

Tenho que parar

o quê?

eu...

 

Ando perdida

voltei pra ficar

não sei a onde

mas estou aqui

ou não?

 

|Ana Clara Galvão, em algum lugar do mundo / out 07|



 Produzido por Ana Clara às 16h07 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 24 de Outubro de 2007

l indício l

 

- Uma foto.
- Uma foto num monóculo.
- Monocromática.
- Uma época, um tempo.
- Alguém sorrindo em preto e branco.
- A imaginação colore a felicidade dos retratos mais velhos.
- Alguém resolve jogar futebol.
- Eu declaro  ilegais todas as torcidas organizadas.
- Alguém corre atrás do futuro.
- As pistas de corrida são ovais.
- E o futuro não chega nunca.
- Também! O futuro é como uma pintura na Capela Sistina!
- Por isso adquiri  um conjunto de tintas importadas.
- E preparei a melhor tela.
- Mas inutilizei todos os pincéis.
- Alguém sorri meio sem-graça.
- Eu então convido pra dançar no meio da praça.
- Com a lua por testemunha.
- Alguém acha um motivo.

- E vai embora.
- Mentira!
- Verdade!
- As personagens que crio sempre têm motivos de sobra!
- Nesse dia elas estavam cansadas.
- Mentira!
- É verdade! E então?
- Quando o sol sair saberemos com quantos alguéns se faz o  mundo.
- Porque se usa tanto óculos escuros?
- Não há nada pra se ver lá fora.
- Im-pas-sí- vel!...Um raio rasga a noite.
- Sob o meu guarda-chuvas só cabe mais um!
- Meu tempo é uma rajada de balas silenciosas.
- À espreita do melhor lobo.
- O lobo é a metáfora da iniciação sexual da menina.
- Ela usa de discrição e rasteja pra mais perto.
- Já não é mais alguém.
- Nessa guerra silenciosa ninguém é tão inocente!
- Todo mundo chora.
- Eu conto uma história linda e ela para de chorar.
- Histórias não adiantam.O que ela quer é voltar voar pra bem longe.
- Eu construo asas para abismos profundos.
- Crescer não é nada fácil.
- É como um instantâneo atrás do outro.
- A foto agora  é colorida.
- Porque as coisas evoluem.
- Mas o sorriso é vermelho, bem vermelho.
- Marcas de batom no colarinho, são um forte indício!
- Você sabe que sim! Já discutimos isso!
- Eu contrato uma bailarina-atriz.
- Mando erguer teatros e mausoléus para velhos artistas.
- Eu convoco uns sorrisos e uns apertos de mão!
- A droga do filme acabou...
- A gente sempre acha que a arte muda o mundo.
- O filme acabou, o dia raiou, as histórias não mais convencem.
- E os ânimos às vezes oscilam entre o cinza e o amarelo!
- Ah, não!
- Ah, sim! E depois morrem...Você sabe.
- Como tudo é finito.
- Uma foto.
- Uma foto num outdoor piscando em frente à minha janela.
- Você já não mora mais em casa.

- É só uma lembrança num retrato monocromático…
- ... eu fecho meus olhos encharcados.
Viver é sempre um risco..

 

 

l wallace puosso / reeditando l



 Produzido por Wallace às 15h58 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 16 de Outubro de 2007

21 gramas

Esqueçam as horas. O corpo já foi levado. O azul da noite ainda estampa o rosto. Boca muda poeira. Ausentes versos, palavras, sons. O maxilar articula contra a vontade. Do corpo. Versos transmitem desejo. Suas mãos tateiam meu sexo. Sua língua saliva. Eu mudo. A seus pés.

Noite passada tomamos todos um porre & fomos brincar de divindades no canteiro central da rodovia. A rádio ainda sintoniza canções da moda, a rua já limpa do mal-cheiro da feira livre contradiz o silêncio. Agora sabemos com quantos buracos se enche o Villa D’Aldeia. Divagamos sobre os cadáveres da vanguarda – parafraseando Ferreira Gullar - e como dar sobrevida às múmias da cidade-dormitório.

Lembro-me de Ana C., poeta que se matou pulando de um prédio. Esqueçam as poesias de amor. Quanto pesa o amor? Esqueçam as horas. O corpo já foi levado.

A morte não usa luvas de pelica.

 

 

|wallace puosso, reeditando|



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Sexta-feira , 05 de Outubro de 2007

diamantes de pedaços de vidro

 

Qual desejo nos guia? Qual dúvida nos faz parar? Qual medo nos alimenta a fragilidade? Que sonho nos torna heróis? Mesmo que de causas perdidas? Quais  causas nos demove? O que esperar dos dias que ainda virão? Como conviver com  fantasmas do passado? E não perder as referências?

Às vezes as pessoas esperam respostas.

E elas nem sabem qual foi a pergunta.

Poucas vezes tive certeza absoluta sobre o que quer que fosse. Tudo que é perfeito, absoluto, unânime, me assusta. Melhor é deixar o absoluto com os físicos e a perfeição como parte da fé. Todo o resto é tangível, tátil, mensurável. Dessa forma, numa dialética, o defeito não me atrairia, o nada não me seduziria e as minorias suscitariam um sentido romântico na minha biografia diária. Mas gosto do prazer de conviver com a dúvida.

Eis o que me impulsiona ao encontro do desconhecido.

Nessa dialética invertida, o que sempre me atraiu foi a possibilidade - sempre presente – de desconstruir uma certeza e sustentá-la sob um novo olhar. Um olhar de fora, periférico, marginal.

Eis a visão que o estrangeiro tem da pátria alheia.

Uma visão abstraída de vícios, contradições, obtusidades e gratuidades. Pensar a vida como estrangeiro é escancarar as portas sem medo, desbravar limites e fronteiras, viver dada dia como se fosse o último no lugar que não é seu.

Isso talvez explique muita coisa.

Às vezes as pessoas procuram rotas certas.

E muitas nem sabem o que ver.

 

Wallace Puosso, reeditando



 Produzido por Wallace às 10h48 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 01 de Outubro de 2007

às vezes

EU ME SINTO ESTRANHO ÀS VEZES, como se não fizesse parte desse mundo, como se a realidade fosse alguma coisa desconfortável.

 

Às vezes algo me chateia e eu nem sempre sei o que é. Mas busco um outro caminho, mais holístico, menos racional. Os melhores remédios, as mais eficientes terapias são aqueles feitos para a alma, para o coração, para a memória. Disso, eu nunca me esqueço.

 

Eu me sinto triste às vezes, mas olho em volta, tento limpar a vista ofuscada pela rotina e consigo enxergar beleza, verdade e pureza nas pessoas e isso me deixa menos triste. É como homeopatia, com pequenas doses, se consegue ótimos resultados.

 

Às vezes me sinto sozinho, extremamente solitário, mas num instante seguinte me lembro que tenho uma estrutura familiar sólida, que me propiciou tudo o que hoje sinto e sei. Lembro-me que tenho uma namorada sempre presente, em qualquer momento, por mais difícil que seja, lembro-me das pessoas por quem nutro amor e que adoro estar junto, abraçar, beijar, olhar nos olhos, conversar. E então não me sinto mais tão sozinho.

 

Lembro-me que a arte trouxe à minha vida algumas situações ruins, desagradáveis, mas também me trouxe pessoas lindas, momentos que jamais esquecerei. No balanço, as lembranças boas superam os momentos de dor.

 

Como tudo na vida.

 

É uma dialética aparentemente maluca, onde aprendemos que só podemos ser felizes se soubermos o que é tristeza e solidão. É o que chamamos de memória da pele. Nessa mesma dialética, sabemos intuitivamente o valor de uma amizade, uma amor verdadeiro quando não o temos de fato.

 

As coisas com as quais estamos acostumados, habituados, quase sempre passam despercebidas, você já reparou?

 

O desafio, nesse caso, é fazer de cada dia, um apanhado de pequenos momentos de aprendizado, pequenos rituais pessoais, momentos em que temos a chance de nos olharmos com mais calma. Momentos esses, em que temos a oportunidade de amarmos mais a nós mesmos do que qualquer outra pessoas que já existiu no mundo!

 

Minha vida tem sido feita também de pequenos e importantes e intensos momentos.

 

Momentos difíceis sempre existirão. MAS ESTAMOS JUNTOS.

 
"Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você"
 
(Legião Urbana, DOIS, 1995)


 Produzido por Wallace às 16h26 [] [envie esta produção]



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::INDICAÇÕES DE ROTA::

IDENTIFICAÇÃO: Ator e diretor de teatro, poeta e compositor. Libra com ascendente em capricórnio. 3º decanato. Lua em Libra.

TUDO COMEÇOU EM: Dois mil e quatro.

GOOD TRIP: viajar; sair com os amigos; namorar; ir ao cinema; um violão na beira da fogueira; um filme europeu em casa com os amigos; ver peças teatrais; ensaiar peças teatrais; ler um bom livro; sair pra fotografar

SONHOS: viver de arte; escrever livros, conhecer a Espanha, a Grécia.

BAD TRIP: política partidária; gente burra; gente mal-educada; todos os tipos de dogma.

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