pausa
Às vezes é preciso parar de nadar e tentar flutuar um pouco, olhar ao redor, ver para onde se está indo. A fadiga chega e às vezes uma reação se torna tardia. Essa é a metáfora da nossa correria por aqui.
Poéticas à parte, tentamos na verdade, ser atenciosos com quem amamos, gentil com os amigos, tentamos (às vezes) parar tudo e - em silêncio - olhar-nos com atenção redobrada.
O corpo está cansado, como já esteve antes, sinto e sei. Mas sempre aprendemos - de uma forma ou de outra.
Aprendemos a regar melhor o jardim.
Burocracia demais sempre cansa. Estressa. Falta de comunicação ou quaisquer outros ruídos minam paciências e sabedorias, que se tornam vãs.
Como não somos qualquer um e não estamos no mundo pra sofrer, é preciso atenção e (auto) disciplina. De todos nós.
Amizades não devem ser postas à prova em meio a reuniões de negócios ou entraves burocráticos. Devem ser sentidas pelos sentidos (que muitas vezes ficam paralisados, cegos).
Cegos nos tornamos, então.
Amizades são. Ponto. Ou não são. Não podem (nem devem) existir meias amizades. Nem meios amores. Nem podemos nos relacionar com as pessoas pela metade.
Então, na nossa infinita capacidade de nos reinventarmos a cada obstáculo, de enrijecermos a musculatura para enfrentarmos o próximo provável tombo, seguimos.
Seguimos em frente.
Meu mestre no teatro me disse certa vez que a arte está acima de tudo. Pessoas vêm, pessoas vão, morrem, deixam legados (ou passam despercebidas) mas a arte verdadeira, feita com a alma permanece por séculos.
Não sei se estarei vivo amanhã para estar com as pessoas que amo, ler meus e-mails, passear com meu cachorro, enfim, mas é preciso viver e viver bem.
E pra finalizar, dos discursos de Aristóteles (que são quatro) o que menos gosto é a retórica. Prefiro a poética e, em última instância a dialética.
Às vezes é preciso parar de nadar, nadar, nadar e tentar flutuar um pouco. Olhar para o céu azul, sentir a brisa do mar. Recobrar o fôlego.
Tenho sentido que às vezes nos cobram respostas contundentes, retóricas, passionais.
Mas... como responder, se eu nem sei qual foi a pergunta?
W.P.
fev/06
Produzido por Wallace às 19h47
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