WALLACE PUOSSO

Sexta-feira , 29 de Agosto de 2008

espelho estilhaçado e badulaques pela cidade

 

Como a caneta busca papel e palavras completam espaços em branco a voz dá cor à espera discursos comovem e arrancam aplausos. Como a língua busca o beijo e o beijo cala a palavra em vão o sacerdote se esquiva da dúvida e sustenta a fé de um séqüito de céticos ávidos pelo virtual paraíso.

Você já percebeu que a história é cheia de malfeitores que se dão bem no final?


Nosso filme é em preto e branco nossa música tem solos de guitarra nossa arte é aderecista e certinha. Eu lembro que tinha coragem agora não estou lembrando onde a guardei em meio ao kaos do quarto.
Você quis sair do anonimato e quer aprender dança de salão pra não dançar no final da noite acenda velas para um santo que seja e outra para o escuro e adivinhe quem vem para o jantar hoje.

É melhor manter as crianças no quarto enquanto a TV estiver ligada.

Admita: as coisas que o cercam não são assim tão reais quanto parece a prece falha que nunca foi dita a ferida que custa a cicatrizar o azar de quem acha que tem a cerca não detém o gatuno que sorrateiro invade em silêncio.


Sorria, você está sendo filmado:

 

de um lado de outro lado todo dado é meio viciado e jogo valendo dinheiro o leva à beira do abismo (o caminho só é aberto por quem tem o machado certo).


Insista: colher pessoas maduras não altera a saúde do pé no entendimento do rio ele jamais pára, o trem, só de pontos em pontos. Estamos avançando sempre mas... Vamos pra onde mesmo?

Será que hoje terá publico? A platéia em silêncio, espera, espera, espera.


Quando foi que fomos felizes? Ihhhh... Diga ao condutor que ficamos por aqui. Vamos descer e desfazer malas e planos.

 

Qual sonho mantém seu sono real?


Consciência pesada é como pedra afundando em águas tranqüilas por milhas e milhas o caminho se estende e é preciso estar inteiro/preciso flecha com alvo certeiro.


Num bar empoeirado o aviso:

Fulano desapareceu há dez anos

 


O tempo é uma relação de espera e vincos profundos pelo rosto. O gosto.

O prenúncio do prazer - feche os olhos, use a imaginação! - todo poeta é como um arauto contrapondo a anestesia dos tempos.


Todos vivem dizendo o que é preciso ter para estar “incluído” nalgum lugar - roupas, adereços e badulaques. Bem, eu tento ser eu da melhor maneira mas todos sempre querem que você Seja exatamente como eles não são.
Discursos, pretextos e acordos quem precisa da moça do tempo pra saber de onde o vento sopra?
Como a agulha busca a veia a raiva toma o lutador de um cano a bala parte e o ponto cego ofusca olhos que não olham nada.


Tem alguma coisa errada por aqui” - você disse a certa altura da vida.


Tem gente tomando seu vinho, comendo seu pão olhando sua vida por detrás do portão abarrotando sua caixa postal com correntes que se fossem libertárias de fato não teriam esse nome.

 

E coisa e tal.

 

 

Wallace Puosso, por aí


 Produzido por Wallace às 00h46 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 08 de Agosto de 2008

errata
 
onde se ouve a palavra, sinta a sensação

onde se vê falhas, complete os pontos

onde se localizam sentidos, alterne direções

onde se vê roupa, tire-a

onde se sente o sol, abre-se um sorriso

o mar não se vê, mas fica logo abaixo:
 
 
 
 
wallace puosso


 Produzido por Wallace às 17h13 [] [envie esta produção]


Domingo , 03 de Agosto de 2008

percurso

Estou de volta.
E parece que foi ontem. Estrada vai, estrada vem. (re) fiz um percurso de busca e encontrei a mim mesmo.
O outro é sempre um espelho, uma ilha, um continente.
Sigo contente, trago o peito repleto de boas novas.
Abram as janelas, cortinas ao vento, saúdem o sol da manhã.
O ir sem nunca ter partido. O voltar sem nunca ter deixado de estar.
Somos verbo. E verbo, ação.
O ônibus se afasta, mas meu coração fica (sempre).

wallace puosso, 29 de julho



 Produzido por Wallace às 16h12 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 14 de Julho de 2008

há tempos

 

Há tempos não se escrevem cartas, agora só scraps.

Há tempos não se conversa sobre coisas variadas. Os assuntos restringem-se. Ficam cada vez mais localizados neste mundo globalizado.

Há tempos (muitos) não se olham. Agora, relações virtuais. Mais seguras, muito mais seguras em tempos pós- AIDS.

Tenho refletido sobre as relações contemporâneas. Amor, amizade, trabalho. Porque tenho a sensação de que temos cada vez menos tempo para o ócio? (Obs. Lembrar de ler Domenico de Masi).

Desta forma, tentarei desplugar mais as coisas. Uma vida acústica ainda é uma boa saída.

Há tempos o encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos... (Alguns poetas deveriam ser eternos, você não acha?).

Por isso, sorria, meu bem. Mesmo aí distante eu sei que você olha por mim... Meus poemas continuam tendo você como musa. Minhas horas de folga são suas. E o mundo a gente constrói aos poucos (mesmo que seja nos finais de semana!)

Tudo muda. Tudo sempre mudará. 

 

wallace puosso

 Produzido por Wallace às 18h51 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 26 de Maio de 2008

 
 
palavra
 

 

O silêncio. A ausência do que antes fora. Palavra. Palavra é o que eu não sei. Toda jornada carrega seu peso. O túnel que ao fim revela a luz. A solidão como ausência física. Do outro.

“Consegue escutar o que meu coração diz?”

Ela apenas olhou de maneira terna, fez negativa com a cabeça, quase pedindo desculpas: “Minha percepção falha. Estou sem dormir há tempos”

“Há tempos não se sonha” e completei repetindo as palavras do poeta: “E há ferrugem nos sorrisos”.

Uma lágrima cai. Na esperança de que outra venha e assim por diante. A ferrugem se vá.

Esperança. A ausência de fatos presentes. Você. Esperando por milagres.

“Preciso ir.” Eu apenas a acompanho sumindo na noite fria. De repente, lembro-me de dizer: “Você já leu “Fernão Capelo Gaivota?”

E a voz da noite me responde: “Ainda há esperança?”

E meus olhos brilham. “É claro que sim!”

O sentido do que antes fora. Palavra. Palavra é o que eu sinto.

O resto, eu não sei dizer.

 

 

wallace puosso



 Produzido por Wallace às 12h34 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 21 de Março de 2008

Uma ode a nós, os monolitos...

aos macacos de 2001...

ao onipresente Hal...

Arthur C. Clarke, Kubrick

enfim, juntos

a verdade está lá fora.

 

wallace puosso



 Produzido por Wallace às 15h12 [] [envie esta produção]


Sábado , 08 de Março de 2008

 

trocando de pele pelo caminho

Não estou lá. Aliás, nunca estive.

Finjo ter passaporte para transitar em silêncio.

As amarras da cultura pop pós morten já não merecem placas de aviso. Estão introgenadas de mesmice, chatice. Ser careta, ser moderno.

Quero ser eu mesmo.

Ainda que eu não saiba bem o que isso significa de fato.

Eu acredito em Jesus, acredito em Zimmerman.

Uma questão reverbera pelo solo desértico do culto ocidental às raízes: Dylan se identifica com suas personas?

É melhor deixar o passado em paz.

E dar voz aos desvalidos.

Quem você foi quando era você de verdade, e não uma projeção pragmática imposta pelas urgências da modernidade?

Bem, eu não estou lá. Aliás, nunca estive.

 

 

wallace puosso, março de 2008



 Produzido por Wallace às 10h19 [] [envie esta produção]


Sábado , 01 de Março de 2008

LISTA DE COISAS

1. Um dia em casa, de pernas para o ar;

2. Ouvir o CD Staring At the Sea, do Cure inteiro;

3. Dinheiro sobrando pra ir ao show do Bob Dylan em SP;

4. Uma boa garrafa de vinho tinto, de preferência chileno;

5. Uma noitada no Largo da Ordem, em Curitiba;

6. Aprender a tocar violão e tocar pra ela um dia;

7. Camping numa praia selvagem;

8. Terreiro de Candomblé em Salvador;

9. Um espetáculo como "A Vida é Cheia de Som e Fúria" da Sutil Cia. de Teatro;

10. Um mestre como Janô, convívio com D. Canô e poesia, é claro!

 

wallace puosso, março de 2008



 Produzido por Wallace às 22h42 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 14 de Fevereiro de 2008

pausa

Às vezes é preciso parar de nadar e tentar flutuar um pouco, olhar ao redor, ver para onde se está indo. A fadiga chega e às vezes uma reação se torna tardia. Essa é a metáfora da nossa correria por aqui.

Poéticas à parte, tentamos na verdade, ser atenciosos com quem amamos, gentil com os amigos, tentamos (às vezes) parar tudo e - em silêncio - olhar-nos com atenção redobrada.

O corpo está cansado, como já esteve antes, sinto e sei. Mas sempre aprendemos - de uma forma ou de outra.

Aprendemos a regar melhor o jardim.

Burocracia demais sempre cansa. Estressa. Falta de comunicação ou quaisquer outros ruídos minam paciências e sabedorias, que se tornam vãs.

Como não somos qualquer um e não estamos no mundo pra sofrer, é preciso atenção e (auto) disciplina. De todos nós.

Amizades não devem ser postas à prova em meio a reuniões de negócios ou entraves burocráticos. Devem ser sentidas pelos sentidos (que muitas vezes ficam paralisados, cegos).

Cegos nos tornamos, então.

Amizades são. Ponto. Ou não são. Não podem (nem devem) existir meias amizades. Nem meios amores. Nem podemos nos relacionar com as pessoas pela metade.

Então, na nossa infinita capacidade de nos reinventarmos a cada obstáculo, de enrijecermos a musculatura para enfrentarmos o próximo provável tombo, seguimos.

Seguimos em frente.

Meu mestre no teatro me disse certa vez que a arte está acima de tudo. Pessoas vêm, pessoas vão, morrem, deixam legados (ou passam despercebidas) mas a arte verdadeira, feita com a alma permanece por séculos.

Não sei se estarei vivo amanhã para  estar com as pessoas que amo, ler meus e-mails, passear com meu cachorro, enfim, mas é preciso viver e viver bem.

E pra finalizar, dos discursos de Aristóteles (que são quatro) o que menos gosto é a retórica. Prefiro a poética e, em última instância a dialética.

Às vezes é preciso parar de nadar, nadar, nadar e tentar flutuar um pouco. Olhar para o céu azul, sentir a brisa do mar. Recobrar o fôlego.

Tenho sentido que às vezes nos cobram respostas contundentes, retóricas, passionais.

Mas... como responder, se eu nem sei qual foi a pergunta?

 

W.P. 

fev/06

 



 Produzido por Wallace às 19h47 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 08 de Fevereiro de 2008

 

Clarice / Homero

 

Ele: cabelos longos, pele clara, desconhecido.

Ela: cabelos curtos, estrangeira, um charme.

Um amor que não tem defeito

Um único caminho com direções diferentes

Saudade!

No pensamento / beijos afirmados

Lembranças de duas crianças brincando de casinha

Hoje, pinto com cores raras

teu olhar vazio / teu sorriso radiante

Um futuro próximo de passos curtos

Clarice sente frio

Homero no calor da distância perde o tom

Quanto custa?

Diz!

 

Ana Clara, março 2006

 

...porque houve um tempo em que Clarice queria proteção e uma casinha branca com varanda pra dividir com alguém amado.

...porque houve um tempo em que Homero regava jardins e colhia flores e Clarice andava com pés descalços e flores no cabelo.

Depois a rotina tomou forma, o jardim foi regado poucas vezes e os olhares não mais se encontraram. É preciso olhar-se por dentro, às vezes. É preciso cultivar carinhos e atenção redobrada.

Homero sente falta da brisa matinal no rosto. E do carinho essencial de Clarice. Mas as guerras existem e estão aí. O que fazer?

Trilha sonora: Nenhum de Nós (Paz e Amor)

Cinemão: (ainda) Doce Novembro

Souvenirs: bouqués nunca dados, cartas nunca enviadas, surpresas nunca feitas.

lembrança. saudade. artigos fora de moda.



 Produzido por Wallace às 11h43 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 23 de Janeiro de 2008

fleuma

 

NOITE FRIA DE JUNHO, eu sob o alpendre contando estrelas, pensamento longe. Você olhando fixamente a fogueira no terreiro. Nesta noite, apenas divagaríamos. Você recusou-se a jogar “War”, por ser longo demais. Eu então tomei uma garrafa de vinho italiano, lembrando farras num hotel em São Lourenço. Coisas que você nem imagina. O silêncio atordoante fez-me pensar que estrelas emitem sons. Como algumas palavras refletem luz. Então percebi seus olhos fixos em mim como se eu pudesse ampliar minha visão periférica. Isso eu aprendi no teatro. Algumas coisas a gente não esquece. Esqueci sim, do seu último aniversário e isso lhe encheu de fúria. Ainda que você não tenha falado nada. Eu sei. Você nunca fala. Minha memória não é meu ponto mais forte. Ainda que para datas e números. Por isso jogo palavras cruzadas. Suponho que eu nunca tenha lhe amado, que você nunca tenha existido de fato e seja apenas convenção. A culpa é de quem? Não somos capazes de “ler” o que as íris dizem. Então, o silêncio retruca. Você abaixa os olhos, vira o rosto. Talvez alguma coisa incomode. Acendo um cigarro e o trago calmamente “Essa merda ainda acaba comigo”, por fim resolvo arriscar e puxo assunto: “Noite fria, não?”. Silêncio. “Achei que seria bom conversarmos, há tanta coisa...”. Silêncio. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez segundos depois – que poderiam ser horas, dias, meses, anos, sei lá, dez segundos depois tomo coragem e desafio: “Onde foi que erramos, pai?” Você então vira o rosto. Os olhos marejados. Acho que não precisamos dizer mais nada.

 

 

wallace puosso, reeditando



 Produzido por Wallace às 15h26 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 10 de Janeiro de 2008

l desconversando com certo alguém l

 

Marrakesh é distante, quase utópico, Mahabarata é hindu assim como o Tao, Oriente.

Oriente-se: onde estaria eu se não fosse em função de ser feliz e viver bem?

Maktub é palavra-chave. Quer dizer “assim seja”

Alguns estão fora da ordem na nova ordem mundial – já disse alguém na Bahia - e não se pode ficar fora. Fora de quê?

Vivo em meio à margem da margem, miragem no epicentro da criação.

Se criar é matar a morte, todo poeta passa-se por imortal. Poetas trabalham o ócio e trabalham bastante! Transformam tristeza em alegria, melancolia em ritmo.

Duro esse ofício da escrita!

Escrevo porque gosto. Palavras me guiam a qualquer lugar e qualquer um é distante o suficiente para que eu não perca meu destino de vista.

Toda letra há de ter uma música à altura, toda certeza precede um ato falho. A própria frase não deixa de sê-lo, como licença poética.

Prefiro minhas dúvidas – elas conduzem ao conhecimento.

Depois a gente conversa.

 

l wallace puosso / reeditando l

 Produzido por Wallace às 14h43 [] [envie esta produção]


Quinta-feira , 03 de Janeiro de 2008

para joca faria

 

Cidade dormitório. Ainda férias...

Ontem assisti o ótimo "The Devil and Daniel Johnston" sobre o genial artista americano Daniel Johnston (http://www.hihowareyou.com/) no canal HBO.

Confesso que fiquei chocado com a história do cara. A vida dele não dá um longa, dá um seriado inteiro.

Dois dias atrás assisti (novamente) o documentário ""Hype!" uma excepcional radiografia no movimento grunge e logo em seguida, "Últimos Dias" do Gus Van Sant (http://www.lastdaysmovie.com/) uma leitura poética sobre a lenda Kurt Cobain. Um filme difícil de assistir mas, em matéria de cinema, adoro o não-convencional.

E não é que o tal Daniel Johnston - que já era lenda na região de Austin, com milhares de seguidores - virou ícone mundial ao ter uma camiseta com sua arte estampada, usada justamente pelo Kurt Cobain na premiação da MTV em 1992?

Suas músicas foram gravadas por Pearl Jam, Sonic Youth entre outros grandes nomes do rock mundial.

Não sei bem porque, em meio a tudo isso, lembrei-me de você, Joca, da sua luta diária, da sua percepção de mundo.

Um Daniel Johnston joseense? Só o tempo (implacável) dirá.

Fiquei com vontade de produzir um livro seu. Ainda não sei como, mas a gente dá um jeito, levanta recurso, sei lá. Faz acontecer.

Afinal, é dessa forma que as coisas acontecem nesse deserto de cidade, onde quase nunca acontece algo que valha o registro.

Por falar em não acontecer, conversei dia desses com o Edson Prata, guerreiro que respeito pela ousadia de ser quem é. Conversamos sobre histórias não-narradas, artesanato x capital, o problema de se morar num local de segurança nacional.

Então, acho que começo a compreender porque as coisas nunca acontecem de fato nessa cidade (por inteiro, constante).

Daniel Johnston saiu de sua cidadela natal, foi pra Austin, lá despontou para finalmente brilhar em Nova Iorque.

Porque ainda acreditamos numa cidade como essa? Porque ainda investimos nosso tempo e energia aqui?

A diferença entretanto, entre São José e São Paulo, é que lá existem amplificadores maiores.

Gus Van Sant, Daniel Johnston, Planchez, Lars Von Trier, Kurt Cobain, Solfidone, David Lynch, Bispo do Rosário, Gentileza.

O mundo é dos que se arriscam à beira do abismo.

 

Wallace, janeiro de 2008



 Produzido por Wallace às 17h18 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 19 de Dezembro de 2007

o papel social da arte

 

A Arte, no seu sentido mais antropológico, serviu no decorrer dos séculos, para ilustrar  uma parte da história, fosse ela registrada nas paredes de uma caverna, fosse ela exposta na Capela sistina.

A partir de Marcel Duchamp, a arte deixa de ser reprodução da realidade e passa a ser a própria representação da realidade.

Se, a partir de então, a arte passa a carregar consigo um sentido próprio sobre o mundo, ela deixa de ser entretenimento e se torna provocativa.

E, por trás dessa arte, está o artista. Ele é o grande questionador de seu tempo, do mundo que o cerca.

Ser artista é ter atitude de artista. É olhar o mundo de outra forma. É entender que a dialética está presente em tudo, desde o discurso até a estética, sabendo portanto, que as coisas nunca são o que aparentam num primeiro olhar.

Ser artista é ter um olhar diferente sobre tudo. E sobre si mesmo.

Bom, dito isso, acho que novela definitivamente não se enquadra no quesito ARTE, portanto, atores que trabalham em novelas não são necessariamente artistas (no sentido descrito acima). São reconhecidos como artistas por um sindicato que rege a categoria. Mas, são mais trabalhadores da cultura.

O artista verdadeiro está invariavelmente restrito a guetos.

Zé Celso, Bispo do Rosário, Gentileza, Frans Krajcberg, Glauber Rocha, Sebastião Salgado.

O que faríamos sem esses artistas maravilhosos e suas obras provocativas?

Coisas para se pensar.

Nem tudo é financeiro na construção das relações.

 

 

 

Wallace Puosso, dezembro de 2007

 Produzido por Wallace às 13h07 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 29 de Outubro de 2007

http://www.marcinhabejokera.blogger.com.br/sozinha.jpg

| Ãhn |

 

Ando um pouco perdida

acho/ onde?

na minha frente:

Mini Aurélio/ Psicodrama/ Milton e Elis

 

Quente, esse calor me mata

me faz parar de pensar

curvas me deixam tontas

problemas me sufocam

 

Tenho que parar

o quê?

eu...

 

Ando perdida

voltei pra ficar

não sei a onde

mas estou aqui

ou não?

 

|Ana Clara Galvão, em algum lugar do mundo / out 07|



 Produzido por Ana Clara às 16h07 [] [envie esta produção]


Quarta-feira , 24 de Outubro de 2007

l indício l

 

- Uma foto.
- Uma foto num monóculo.
- Monocromática.
- Uma época, um tempo.
- Alguém sorrindo em preto e branco.
- A imaginação colore a felicidade dos retratos mais velhos.
- Alguém resolve jogar futebol.
- Eu declaro  ilegais todas as torcidas organizadas.
- Alguém corre atrás do futuro.
- As pistas de corrida são ovais.
- E o futuro não chega nunca.
- Também! O futuro é como uma pintura na Capela Sistina!
- Por isso adquiri  um conjunto de tintas importadas.
- E preparei a melhor tela.
- Mas inutilizei todos os pincéis.
- Alguém sorri meio sem-graça.
- Eu então convido pra dançar no meio da praça.
- Com a lua por testemunha.
- Alguém acha um motivo.

- E vai embora.
- Mentira!
- Verdade!
- As personagens que crio sempre têm motivos de sobra!
- Nesse dia elas estavam cansadas.
- Mentira!
- É verdade! E então?
- Quando o sol sair saberemos com quantos alguéns se faz o  mundo.
- Porque se usa tanto óculos escuros?
- Não há nada pra se ver lá fora.
- Im-pas-sí- vel!...Um raio rasga a noite.
- Sob o meu guarda-chuvas só cabe mais um!
- Meu tempo é uma rajada de balas silenciosas.
- À espreita do melhor lobo.
- O lobo é a metáfora da iniciação sexual da menina.
- Ela usa de discrição e rasteja pra mais perto.
- Já não é mais alguém.
- Nessa guerra silenciosa ninguém é tão inocente!
- Todo mundo chora.
- Eu conto uma história linda e ela para de chorar.
- Histórias não adiantam.O que ela quer é voltar voar pra bem longe.
- Eu construo asas para abismos profundos.
- Crescer não é nada fácil.
- É como um instantâneo atrás do outro.
- A foto agora  é colorida.
- Porque as coisas evoluem.
- Mas o sorriso é vermelho, bem vermelho.
- Marcas de batom no colarinho, são um forte indício!
- Você sabe que sim! Já discutimos isso!
- Eu contrato uma bailarina-atriz.
- Mando erguer teatros e mausoléus para velhos artistas.
- Eu convoco uns sorrisos e uns apertos de mão!
- A droga do filme acabou...
- A gente sempre acha que a arte muda o mundo.
- O filme acabou, o dia raiou, as histórias não mais convencem.
- E os ânimos às vezes oscilam entre o cinza e o amarelo!
- Ah, não!
- Ah, sim! E depois morrem...Você sabe.
- Como tudo é finito.
- Uma foto.
- Uma foto num outdoor piscando em frente à minha janela.
- Você já não mora mais em casa.

- É só uma lembrança num retrato monocromático…
- ... eu fecho meus olhos encharcados.
Viver é sempre um risco..

 

 

l wallace puosso / reeditando l



 Produzido por Wallace às 15h58 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 16 de Outubro de 2007

21 gramas

Esqueçam as horas. O corpo já foi levado. O azul da noite ainda estampa o rosto. Boca muda poeira. Ausentes versos, palavras, sons. O maxilar articula contra a vontade. Do corpo. Versos transmitem desejo. Suas mãos tateiam meu sexo. Sua língua saliva. Eu mudo. A seus pés.

Noite passada tomamos todos um porre & fomos brincar de divindades no canteiro central da rodovia. A rádio ainda sintoniza canções da moda, a rua já limpa do mal-cheiro da feira livre contradiz o silêncio. Agora sabemos com quantos buracos se enche o Villa D’Aldeia. Divagamos sobre os cadáveres da vanguarda – parafraseando Ferreira Gullar - e como dar sobrevida às múmias da cidade-dormitório.

Lembro-me de Ana C., poeta que se matou pulando de um prédio. Esqueçam as poesias de amor. Quanto pesa o amor? Esqueçam as horas. O corpo já foi levado.

A morte não usa luvas de pelica.

 

 

|wallace puosso, reeditando|



 Produzido por Wallace às 18h55 [] [envie esta produção]


Sexta-feira , 05 de Outubro de 2007

diamantes de pedaços de vidro

 

Qual desejo nos guia? Qual dúvida nos faz parar? Qual medo nos alimenta a fragilidade? Que sonho nos torna heróis? Mesmo que de causas perdidas? Quais  causas nos demove? O que esperar dos dias que ainda virão? Como conviver com  fantasmas do passado? E não perder as referências?

Às vezes as pessoas esperam respostas.

E elas nem sabem qual foi a pergunta.

Poucas vezes tive certeza absoluta sobre o que quer que fosse. Tudo que é perfeito, absoluto, unânime, me assusta. Melhor é deixar o absoluto com os físicos e a perfeição como parte da fé. Todo o resto é tangível, tátil, mensurável. Dessa forma, numa dialética, o defeito não me atrairia, o nada não me seduziria e as minorias suscitariam um sentido romântico na minha biografia diária. Mas gosto do prazer de conviver com a dúvida.

Eis o que me impulsiona ao encontro do desconhecido.

Nessa dialética invertida, o que sempre me atraiu foi a possibilidade - sempre presente – de desconstruir uma certeza e sustentá-la sob um novo olhar. Um olhar de fora, periférico, marginal.

Eis a visão que o estrangeiro tem da pátria alheia.

Uma visão abstraída de vícios, contradições, obtusidades e gratuidades. Pensar a vida como estrangeiro é escancarar as portas sem medo, desbravar limites e fronteiras, viver dada dia como se fosse o último no lugar que não é seu.

Isso talvez explique muita coisa.

Às vezes as pessoas procuram rotas certas.

E muitas nem sabem o que ver.

 

Wallace Puosso, reeditando



 Produzido por Wallace às 10h48 [] [envie esta produção]


Segunda-feira , 01 de Outubro de 2007

às vezes

EU ME SINTO ESTRANHO ÀS VEZES, como se não fizesse parte desse mundo, como se a realidade fosse alguma coisa desconfortável.

 

Às vezes algo me chateia e eu nem sempre sei o que é. Mas busco um outro caminho, mais holístico, menos racional. Os melhores remédios, as mais eficientes terapias são aqueles feitos para a alma, para o coração, para a memória. Disso, eu nunca me esqueço.

 

Eu me sinto triste às vezes, mas olho em volta, tento limpar a vista ofuscada pela rotina e consigo enxergar beleza, verdade e pureza nas pessoas e isso me deixa menos triste. É como homeopatia, com pequenas doses, se consegue ótimos resultados.

 

Às vezes me sinto sozinho, extremamente solitário, mas num instante seguinte me lembro que tenho uma estrutura familiar sólida, que me propiciou tudo o que hoje sinto e sei. Lembro-me que tenho uma namorada sempre presente, em qualquer momento, por mais difícil que seja, lembro-me das pessoas por quem nutro amor e que adoro estar junto, abraçar, beijar, olhar nos olhos, conversar. E então não me sinto mais tão sozinho.

 

Lembro-me que a arte trouxe à minha vida algumas situações ruins, desagradáveis, mas também me trouxe pessoas lindas, momentos que jamais esquecerei. No balanço, as lembranças boas superam os momentos de dor.

 

Como tudo na vida.

 

É uma dialética aparentemente maluca, onde aprendemos que só podemos ser felizes se soubermos o que é tristeza e solidão. É o que chamamos de memória da pele. Nessa mesma dialética, sabemos intuitivamente o valor de uma amizade, uma amor verdadeiro quando não o temos de fato.

 

As coisas com as quais estamos acostumados, habituados, quase sempre passam despercebidas, você já reparou?

 

O desafio, nesse caso, é fazer de cada dia, um apanhado de pequenos momentos de aprendizado, pequenos rituais pessoais, momentos em que temos a chance de nos olharmos com mais calma. Momentos esses, em que temos a oportunidade de amarmos mais a nós mesmos do que qualquer outra pessoas que já existiu no mundo!

 

Minha vida tem sido feita também de pequenos e importantes e intensos momentos.

 

Momentos difíceis sempre existirão. MAS ESTAMOS JUNTOS.

 
"Já não me preocupo
Se eu não sei porquê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você"
 
(Legião Urbana, DOIS, 1995)


 Produzido por Wallace às 16h26 [] [envie esta produção]


Terça-feira , 18 de Setembro de 2007

a distância entre dois caminhos

 

Outono de 2007. Desembarcamos numa estação, depois de longa viagem, um pouco pesados pelo ar rarefeito. Criamos sensações e brilho nos olhos, mas ainda estamos aprendendo. A caminhar. “Bilhetes, por favor!” – dizia o condutor. Poderia ser o chapeleiro maluco que recebeu Alice numa outra estação. Poderia ser um estrangeiro pedindo informação numa outra língua. “You understand me?” Ontem ouvimos Beatles e tomamos chá. Houve um tempo em que os deuses eram humanos e viviam em Liverpool. Houve um tempo em que viajar de trem era necessidade, vontade, desejo. “Quel son désir, mon ange?” Parados na estação de trem, contamos um pouco da vida. Há tempos, são os jovens que adoecem. E há ferrugem nos sorrisos. Contrapondo a isso, contamos histórias. ”Cuenta una historia a mi”. Nós que lidamos com arte, somos estrangeiros no coração das pessoas. Que língua você fala? A palavra é urgente, o próximo trem está chegando, me espere que eu volto.

 

 

Wallace, setembro de 2007

Quer saber mais? Acesse http://cubo.magico.zip.net



 Produzido por Wallace às 14h11 [] [envie esta produção]



[ Literatura Anterior ]
 
 
 
       
   

 

::INDICAÇÕES DE ROTA::

IDENTIFICAÇÃO: Ator e diretor de teatro, poeta e compositor. Libra com ascendente em capricórnio. 3º decanato. Lua em Libra.

TUDO COMEÇOU EM: Dois mil e quatro.

GOOD TRIP: viajar; sair com os amigos; namorar; ir ao cinema; um violão na beira da fogueira; um filme europeu em casa com os amigos; ver peças teatrais; ensaiar peças teatrais; ler um bom livro; sair pra fotografar

SONHOS: viver de arte; escrever livros, conhecer a Espanha, a Grécia.

BAD TRIP: política partidária; gente burra; gente mal-educada; todos os tipos de dogma.

LITERATURA ANTERIOR

  01/08/2008 a 31/08/2008
  01/07/2008 a 31/07/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/07/2005 a 31/07/2005
  01/06/2005 a 30/06/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/04/2005 a 30/04/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005
  01/12/2004 a 31/12/2004




Procure uma entidade beneficente:

antispam.br

OUTROS SITES
    RECANTO DAS LETRAS
  ESCREVINHADORES
  FOTOLOG WALLACE
  Teatro - Cia. Fábrica de Cenas
  Teatro - Cia. Teatro da Cidade
  Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas
  Teatro de Tábuas
  Teatro - LUME
  Teatro - Sutil Companhia
  Teatro - Theatre du Soleil
  Teatro - Zecora Ura
  Teatro - REDEMOINHO
  Teatro - Grupo Tempo
  Ateliê de Criação Teatral
  Teatro - Odeon Cia. Teatral
  Teatro - Barracão Teatro
  Teatro Brasileiro
  Teatro - Biblioteca Virtual
  Teatro - Enciclopédia ECA
  Teatro - Proscênio
  Teatro - Companhia do Latão
  Teatro - Oficina
  Teatro - Parlapatões
  Teatro - Grupo Teatro da Terra
  Teatro - Etc e Tal
  Teatro - Cirque du Soleil
  Teatro - Antonio Nóbrega
  Teatro Brincante
  Teatro - Beckett
  Teatro - Gerald Thomas
  Teatro - Odin Teatret
  Teatro - Companhia do Feijão
  Teatro da Vertigem
  Teatro do Pequeno Gesto
  Teatro - Grupo Galpão
  Teatro de Anônimo
  Teatro - Grupo Tá Na Rua
  Teatro - Projeto Mundo ao Contrário
  Teatro - Dario Fo
  Teatro - Fraternal Companhia
  Teatro - Pina Baush
  Teatro - Os Satyros
  Teatro - Mário Bortolotto
  Teatro - Denise Stoklos
  CPT - Centro de Pesquisas Teatrais
  Teatro Fábrica São Paulo
  Teatro e Literatura - Tchekhov
  Teatro - Cemitério de Automóveis
  Centro Teatro do Oprimido
  Teatro - Jornal Sarrafo
  Teatro - Guia OFF
  Links sobre teatro
  Teatro - Na Cena
  Literatura e Teatro -
  Música - REM
  Música - Pearl Jam
  Música - Chico Buarque
  Música - Tom Jobim
  Música - Tom Jobim
  Música - Caetano Veloso
  Música - Morrissey
  Música - Bob Dylan
  Música - Cazuza
  Música - Radiohead
  Música - Manu Chao
  Música - Chico César
  Música - IRA!
  Música - Orquestra de Viola
  Música - Cordel do Fogo Encantado
  Música - Arnaldo Antunes
  F.UR.T.O.
  Música - Mirian Cris
  Música Eletrônica - Rebordose
  Música - Barbatuques
  Música - Velhas Virgens
  União Brasileira de Escritores
  Cultura e Literatura
  Revista Preá
  Carta Capital
  Literatura - Rubem Alves
  Literatura - Portal Literal
  Revista Caros Amigos
  Poesia - Casa do Sol
  Outra Coisa
  Revista Cult
  Literatura - Palavreiros
  Literatura - Revista Agulha
  Literatura - Materika
  Literatura - Alforja
  Literatura - Baquiana
  Literatura - Bestiário
  Projeto Diário de Literatura
  Literatura - Letra e
  Literatura - Paulo Leminski
  Literatura - Marcelo Mirisola
  Literatura - Pablo Neruda
  Literatura - Vinícius de Moraes
  LIVROS VIRTUAIS GRATUITOS
  El Poder de La Palabra
  Literatura - Morfina
  Garotas que dizem ni
  Academia Brasileira de Cordel
  Literatura - Usina de Letras
  Cinema - Michael Moore
  Cinema - Porta Curtas Petrobras
  Cinema - Unibanco Arteplex
  Cinema - Curta Agora
  Fotografia - Fotógrafos de Pará
  Fotografia - Sebastião Salgado
  Fórum Social Mundial
  Fundación Cultural de las Américas
  Produtora - Academia de Filmes
  Produtora - Cara de Cão
  Produtora - Cine
  Produtora - Companhia de Cinema
  Produtora - Conspiração Filmes
  Produtora - FilmPlanet
  Produtora - Jodaf Mixer
  Produtora - Zero Filmes
  Produtora - Casa de Cinema de Porto Alegre
  Produtora - Yes
  Blog - Gerald Thomas
  Blog - Leila Pinheiro
  Blog da Dazinha
  Blog - Nanda Rovere
  Blog - Decca
  Blog - Vermelho Carmim
  Blog - Arte e Política
  Blog - Quarta Parede
  Blog - Marisa Lobo Viana


VOTAÇÃO
    O Diário de Bordo agradece a sua nota. Mas, sua presença aqui é sempre importante!